Minha cabeça estava doendo muito, acho que havia um corte nela, mas era como se tivesse sido há muito tempo, mas ainda assim latejava de vez em quando, como se fosse pra me lembrar que ainda estava ali, onde eu estava e onde estavam as minhas roupas?
Eu estava vestida de um trapo imundo, meu cabelo que estava sempre tão limpo parecia que havia passado por um furacão, além e claro de estar todo impregnado de um pó vermelho e cinza, minha garganta doía de sede, nossa há quanto tempo estou aqui, será que fui seqüestrada? Eu me perguntava como se alguém fosse responder...
Resolvi olhar ao redor e no canto havia um velho relógio marcando exatamente 2:15, para a minha surpresa eu estava descalça e a minha pele estava toda escura como se estivesse queimada mesmo, mas acredito que isso era por conta da sujeira do local.
O salão onde eu estava era grande acredito que era destinado a festas ou eventos e tinha uma passarela do tipo que eu conhecia tão bem, afinal eu era uma modelo de sucesso internacional, mas era estranho, estava tudo com cara de que ninguém pisava ali a décadas, tudo estava sujo com o mesmo pó vermelho e cinza que tinha no meu cabelo e com cara de que havia passado por um incêndio...
Continuei a caminhar e encontro um par de sandálias velhas em baixo de uma pilha de roupas que pareciam ter sido bem elegantes, mas agora eram pouco mais do que os trapos que eu vestia, peguei as sandálias e fui em direção a porta de saída, as paredes tinham muitos símbolos estranhos, minha cabeça começava a latejar de novo, por Deus como eu gostaria de um pouco do meu prozac agora...
Ao abrir a porta de saída foi onde eu de fato me assustei de verdade, e claro que o dia até aquele momento não tinha sido meu melhor dia, mas como eu poderia estar preparada pra tudo aquilo?
A cidade estava totalmente destruída, o céu era de um vermelho e cinza assustadores, era como se a cidade tivesse passado por um incêndio gigante, mas parecia ter sido a tanto tempo que isso tornava a coisa ainda mais assustadora...
Onde eu estava afinal?
Eu me lembro que há poucos minutos eu estava pronta pra desfilar, era a nova coleção de langerie e eu era o centro das atenções naquele dia...
Eu estava sonhando ou melhor tendo um pesadelo, será que os remedios tem esse efeito colateral, mas se eu estava sonhando porque a minha cabeça latejava tanto?
E porque eu sentia toda aquela sujeira no meu corpo que estava todo sujo e aquele ar com gosto de metal que doía ao se respirar, onde eu estava?
Comecei a caminhar e pensar que eu teria muito que conversar com o meu psicólogo, psiquiatra, consultor espiritual ou qualquer coisa que o valha, nossa eu daria o meu apartamento em NY por um banho e um chá gelado...
Continuei caminhando pela avenida e pensando em como eu estava suja e vestida com aqueles trapos então nossa que terrivel, não havia muito para se ver, só restos de carros e fachadas caindo ou por cair, os grandes prédios quando não estavam pela metade estavam por ruir, era como se tudo tivesse passado por uma grande guerra, a sujeira na minha pele não saia, droga e se essa coisa manchar a minha pele?
Caminhei por pelo menos o que pareceu uns trinta minutos, haviam alguns relógios pelo caminho, estranho haver relógios por ali, todos marcavam 2:15, minha garganta estava seca como um deserto, entrei no que parecia ser uma antiga loja de café, não tinha muita coisa ali, mas encontrei uma velha lata de um refrigerante, eu não conhecia a marca, mas não importava, para a minha surpresa não tinha pouco mais do que um gole de um liquido doce dentro da lata, mas era melhor do que nada...
De repente escuto alguns gritos extremamente estridentes, me escondo por trás do velho balcão do café, do outro lado da rua uma mulher que aparenta ter uns 50 anos com uma criança cai na calçada e grita em um idioma que eu desconheço gesticulando freneticamente para a criança continuar, a criança chora e não quer ir, então a velha da um tapa na cara dela e continua mandando ela ir embora .
A criança corre e se esconde no que deve ter sido uma loja de departamentos, criaturas chegam em um grupo de três, eu não consegui entender bem o que elas eram, criaturas disformes de uns dois metros de altura, o cheiro delas era muito forte, uma mistura de metal e algo podre, tinham coisas que saiam das costas delas que pareciam ser braços, não vejo seus rostos, pelo menos eu não conseguia ver de onde eu estava, só sei que não importava o que aconteceria, eu não sairia de onde estava nem que fosse a minha mãe naquela calçada, as criaturas cercaram a mulher e comecei a ouvir o que parecia ser guinchos e a mulher chorava em desespero, uma das criaturas pisou na cabeça da velha e mais gritos, tanto de dor quanto os guinchos da criatura...
E então o silêncio, apenas os lamentos da velha, eu estava paralisada de medo, onde eu estava o que estava acontecendo?
Eu precisava sair daqui o quanto antes, mas não conseguia mover um músculo nem que a minha vida dependesse disso, e que se aquelas coisas me ouvissem acho que seria esse o caso...
Uma das criaturas foi até a esquina de onde tinha vindo e gesticulou como se tivesse chamando algo, e então para a minha surpresa um grupo de nove crianças, todas andando em grupos de três e absurdamente limpas e bem arrumadas.
Do local onde eu estava não dava pra ver elas muito bem, o que aquelas crianças estavam fazendo ali e ainda mais com aqueles monstros, cada uma estava vestida com um tipo de fantasia, uns com roupinha de marinheiro, outros soldadinhos, duas meninas com uma roupa de fada e uma de princesa, mas eu não conseguia ver os rostos delas.
A velha continuava caída no chão e chorava, as criaturas se afastaram e a velha foi cercada pelas crianças, ela começou a soluçar.
DEUS EU TENHA QUE SAIR DAQUI, mas as minhas pernas não deixavam.
As crianças fizeram uma ciranda ao redor da velha e começaram a girar e cantar algo, mas eu não entendia o que elas cantavam, elas riam alto, nossa como eram bonitas, mesmo de longe se notava isso, ainda assim não consegui ver nenhum rosto, as criaturas apenas observavam...
Um odor imundo tomou conta do ar, me segurei para não vomitar, mas não consegui, a velha soluçava e naquele idioma estranho parecia pedir por clemência, as crianças sorriam...
E então as crianças do nada se transformaram em coisas tão assustadoras quanto as criaturas que as rodeavam e pularam em cima da velha, não pude olhar a cena só escuto os gritos de dor...
Em menos de 30 segundos não restava nada da velha, ou quase nada, deixaram a cabeça e voltaram ao normal, tão lindas e fofinhas como eram antes, e começaram a “brincar” com a cabeça do que um dia foi uma senhora...
Antes de desmaiar notei que tinha um relógio na parede do café, eram 2:15...
Nenhum comentário:
Postar um comentário