quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Despertar...


Eu estava em mais um daqueles sonhos de uma vida de outrora, estava em uma praia com muita gente, usava uma camiseta, short um chapéu ridículo e um óculos de sol como todo bom turista, era uma daquelas festas de praia e estava havendo um concurso de garotas de biquíni na piscina do hotel ou algo que o valha.
 Eu já me considerava um velho para essas coisas e resolvi me sentar em uma mesa mais distante e ler um jornal com algumas margueritas, na capa do jornal tinha uma notícia sobre um novo grande estadista que defendia a paz e o desarmamento, seu nome era Victor, engraçado um jornal dar tanto crédito a um total desconhecido falando em paz e amor, mas a imprensa deve ter lá seus motivos e atualmente não estava acontecendo nada de muito interessante, fora as eternas guerras no Oriente Médio.
Fiquei folheando o jornal sem absolutamente ler nada, na verdade eu só pensava no contrato com a nova indústria farmacêutica que andava provocando burburinhos no mundo corporativo e o motivo pelo qual eu tinha ido à praia, se aquela nova linha de medicamentos fizesse apenas metade do que se prometia nós ganharíamos bilhões, muito embora houvessem dezenas de estudos apontando para possíveis efeitos colaterais sérios isso não seria nenhum problema, eu estava muito próximo de conseguir fechar o contrato e não seria alguns estudos que me impediriam.
Foi quando me dei conta de que o som havia parado, pode ser que o concurso tenha acabado, mas por que todo aquele silêncio afinal?
Então me dou conta de que não tem mais absolutamente ninguém na piscina do hotel, tampouco na praia, está tudo deserto e abandonado ou quase tudo...
Em uma mesa do outro lado da piscina eu vejo uma senhora com um cachorrinho bebendo algo e olhando para uma revista, o dia se torna estranhamente nublado então vou em direção dela.
- Com licença, bom dia senhora, sabe me dizer o que houve aqui?
Ela continua lendo a revista sem parecer se importar com o que eu falo o cachorrinho dela, um daqueles poodles irritantes, estava dormindo ao lado da mesa.
- Senhora, por favor...
- Está apreciando a praia meu rapaz?
- Bom estou, quer dizer estava até a pouco, antes de todo mundo sumir, sabe o que houve?
- Claro que sei o que houve os mais velhos sempre sabem de tudo não é verdade?
- Eu imagino que sim, então onde foi todo mundo?
-Todos estão em seus respectivos mundos, realidades, épocas, universos, cada um seguiu o caminho que achou por bem trilhar, embora alguns deles não pensaram nas conseqüências do caminho que seguiram.
- Do que a senhora está falando afinal? 
- Há pouco aqui estava cheio de pessoas e agora não resta mais ninguém, e você vem me falar de realidades e universos? 
- O que tem nesse chá que a senhora está bebendo?
Eu me viro pra piscina e as palavras mal saem da minha boca...
- Mas... que porra...
A piscina era uma poça de um líquido negro e escuro, o hotel estava em chamas, aliás, tudo por ali estava em chamas, havia muitos corpos espalhados por todo o lugar, se escutava gritos de todos os lugares...
O ar do lugar estava tomado por um violento gosto de metal que ardia a garganta, eu me viro para a senhora que continua lá sentada e pensativa:
- Mas o que aconteceu aqui, pelo amor de Deus o que aconteceu aqui?
- Tem certeza de que não sabe, meu caro Peter?
- Com mil diabos é claro que eu não sei o que houve com esse lugar, santa mãe de Deus...
Meus olhos se voltam para a praia, uma criatura gigantesca caminha pela praia coletando os corpos e jogando em um grande container que está amarrado ao corpo dele por grandes correntes, vez por outra ele come alguns dos coletados, pernas, braços jogando fora apenas à cabeça.
- Isso é um pesadelo, só pode ser um pesadelo...
- Talvez sim, meu caro Peter, um pesadelo, mas um pesadelo nada mais é do que um universo dentro de outro universo...
- Isso não faz nenhum sentido, o que está acontecendo aqui, por favor, me explique...
A criatura parou e me olhou por alguns instantes, o que fez o meu sangue gelar, era como um desses ogros de filmes de fantasia, muito alto e forte, se via centenas de dentes e apenas um olho, expressa sorriso hediondo com restos de carne humana entre os dentes e segue o seu caminho dando um grande bocejo.
- Esse é o mundo que pessoas como você prepararam com todos os seus esforços Peter, isso é o que eu chamo de “PARAÍSO PARTICULAR DO PETER”.
A velha deu uma grande gargalhada, então eu me viro para ver a velha novamente, mas ela simplesmente some, estava muito quente e os gritos se tornam mais intensos e sofridos.
O “ogro” que andava bem lentamente jogava uma das vítimas para cima e deixava ele cair e dava uma gargalhada horrenda com os gritos de dor do pobre homem que já tinha perdido as pernas, provavelmente devoradas pelo ogro.
Corri para o que restava do meu quarto no hotel, passando entre vários corpos e alguns deles pareciam ter passado por uma explosão atômica, dado a gravidade das queimaduras nos seus corpos; os que ainda tinham força tentavam me agarrar gemendo por socorro, me soltei deles e sai correndo sem saber o que pensar.
O Hotel era um forno, tudo estava em chamas, mas eu precisava chegar ao meu quarto, tudo o que eu tinha estava lá.
 Um cozinheiro apareceu correndo e gritando em chamas com alguma coisa mordendo o pescoço dele, subi pela escada de incêndio o mais rápido que pude, era óbvio que subir em um prédio em chamas era burrice, mas no momento o que eu poderia fazer?
Abri a porta do corredor onde ficava o meu quarto, estava aparentemente inteiro.
Corri para o quarto, o cartão não abria a porta, peguei o machado que ficava ao lado do extintor no corredor e quebrei a fechadura, ao abrir a porta encontro a velha sentada alisando seu cachorro em uma cadeira do quarto olhando pela janela.
- Mas que droga está havendo aqui, sua velha desgraçada, que diabos aconteceu com esse lugar?
- Acho que já respondi essa pergunta não? 
- Esse é o seu “paraíso particular”, ou pelo menos foi algo pelo qual você lutou tanto para conseguir em vida...
- Em vida, quer dizer que eu morri e isso aqui é o inferno? 
- Continua delirando velha, eu jamais lutaria pra estar em um pesadelo como esse...
- Eu não conheço nenhum inferno que não sejam os particulares, meu caro Peter, além disso, eu não disse que você morreu.
- Se não vai me ajudar, então suma da minha frente. 
- O que eu faço agora, maldição...
- Não há muito que se fazer agora além de se tentar sobreviver Peter, mas quem sabe remediar e acredito que você vai ser bem útil em breve, se assim desejar, mas essa é uma conversa para mais tarde...
A velha some novamente, então vejo a fumaça tomando o corredor; 
- Merda tenho que sair daqui.
Junto as minhas coisas, que não são muitas, em uma mala e saio em direção à escada de incêndio, ao me aproximar da escada algo chama a minha atenção para o final do corredor. Parece uma pessoa, mas tem algo errado, ela está de costas então eu digo algo...
 - Olá...
A criatura se vira e o medo toma conta de mim mais uma vez, uma mulher deformada por queimaduras, a pele dela está cheia de feridas e o pior não existe nada onde deveriam estar os olhos...
- É VOCÊ, AMOR? EU ESPERO POR VOCÊ POR TANTO TEMPO...
Então ela corre em minha direção com os braços abertos, eu caiu pra trás com o susto, a criatura quase me alcança, mas aos tropeções consigo chegar a escada o mais rápido que posso...
- AMOR, VENHA PARA OS BRAÇOS DE SUA AMADA...
O gelo toma conta de cada gota de sangue do meu corpo, chego ao hall e a criatura continua sua corrida para me pegar, o cozinheiro, agora morto pelas chamas, tem suas tripas devoradas pela criatura que estava antes no pescoço dele. 
Sigo para o lado de fora e bato de frente com um daquelas ogros gigantes, ele me joga longe com um golpe, acho que devo ter quebrado algumas costelas com o impacto. 
A mulher sai pela porta jurando amor eterno, mas assim que ela se da conta do ogro ela tenta correr de volta pra dentro do prédio, em vão...
Só tenho tempo de ouvir os gritos de “amor eterno” por mim antes dela ser devorada pelo ogro que desaparece com aquela coisa com apenas duas dentadas.
Começo a perder a consciência devido ao golpe que levei do ogro, tem algo se aproximando de mim, será outro ogro? Alguma criatura querendo me devorar, Deus eu preciso levantar, não quero morrer, não nesse inferno, não posso morrer ainda...
Acordo desnorteado em uma cama com alguns homens e uma mulher tentando me acalmar.
- Calma, Peter, foi só um pesadelo, calma...
- Eu... Onde eu estou...
- Está em segurança Peter, agora tome isso e descanse, você ainda está muito ferido e desnutrido.
- Onde está a velha, onde está a velha?
- Calma Peter, calma, descanse agora.
Um dos homens aplica uma injeção no meu braço, então adormeço novamente esperando não sonhar de novo...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Entre estradas e monstros...


Estávamos correndo por uma grande avenida, Stick ia me indicando o caminho por meio de um tipo de GPS que tinha no carro, as ruas estavam abarrotadas de restos de carros destruídos e buracos.
- Pega a esquerda antes do túnel Andressaaa, não e uma idéia boa passar por lugares escuros por aqui...
Ao dobrar a esquerda uns 500 metros eu tive que parar o carro...
Um exercito de crianças monstro estavam paradas, aguardando, sorrindo, todas perfeitas e lindas com aquelas fantasias dos mais variados tipos...
- Deus do céu e agora Stick...
Uma voz ensurdecedora de cima de um dos prédios anuncia que as crianças são o menor dos nossos problemas...
Uma aranha com um meio corpo de criança unida a um corpo de aranha e agora com apenas sete das oito pernas de aço e sangrando muito bradava do prédio.
- EU VOU ME DELICIAR EM OUVIR SEUS GRITOS DE DOR ENQUANTO DEVORO SEUS OLHOS HUMANOS MALDITOS...
- Merda que se dane, Stick coloca o cinto vamos passar por cima dessas coisas...
E acelerei, as crianças se tornaram o que de fato eram monstros e começaram a avançar pra cima do carro, a aranha saltou do prédio e começou a avançar em nossa direção, eu não tinha escolha ou caminho pra desviar então passei por cima dos monstros, rapidamente o carro estava coberto de um liquido negro e pútrido, o sangue das aberrações, muitos gritos de dor, mas ainda assim elas não paravam de pular pra cima do carro e bater pra tentar entrar, o teto já estava infestado desses pequenos monstros, um deles coloca o rosto deformado no vidro e sorri babando e mostrando as fileiras de dentes antes de cair e se partir em dois.
 Felizmente o jipe deveria ter sido feito pra agüentar esse tipo de coisa, mas até quando?
- Stick pra onde a gente tem que ir, se a gente continuar aqui esse carro não vai durar muito...
- Direita na próxima e sobe o viaduto, rápido eu vou ligar o choque ...
- Ligar o que?
Stick aperta um botão no painel do carro e derrepente mais gritos de dor, os monstros que estavam no teto gemem de dor e caem como moscas do carro e se espatifam no chão virando poças de um liquido negro.
- O que você fez?
- Nada demais, esse carro era do exercitu, servia pra parar mani, mani, bagunça nas ruas...
- Manifestações e isso?
- Issu (E abriu um sorriso enorme).
A aranha continuava correndo atrás da gente, muito embora eu estivesse, apesar dos monstros, correndo a uma velocidade de 80 km, ele pulava entre os prédios e corria com uma velocidade assustadora, e já estava perigosamente perto da gente.
- Stick se você tiver mais algum truque nesse carro e bom se preparar pra usar.
- Não tem mais nada não.
- Merda e agora.
O caminho era um vai e vem infernal, a cada esquina havia um grupo daquelas coisas em formato infantil saltando sobre o carro, e a maldita aranha continuava em nosso encalço sem descanso.
- Esquerda, esquerda...
A Aranha lança um pedaço de carro que felizmente não bate na gente, mas derruba um antigo prédio.
- Merda, merda, merda...
- Você xinga muito Andressaa, que feio...
Olho com cara de quem diz, "TA DE SACANAGEM COMIGO?"
Chegamos a uma enorme ponte, um dos lados dela já tinha ruído há muito tempo pelo que parecia e o outro lado só estava inteiro ainda por conta de alguns cabos que a seguravam, a aranha já dava pancadas na parte de trás do carro, era complicado guiar, se desviar dos restos de carros e não cair, a ponte balançava muito e ao que parecia ia ruir em breve...
- Stick o que vamos fazer, não vai dar pra fugir com essa coisa atrás da gente.
- Me deixa dirigir e você vai à parte de trás e atira nela.
- Você só tem sete anos Stick, eu não vou deixar você dirigir.
- Então eu vou lá atirar nela que tal?
- Alguma vez na vida você já dirigiu pirralho?
- CLARUUU (E mais uma vez ele deu aquele sorriso idiota, mas lindo dele), nos vídeu game e o carro se ajusta pra minha altura, e facinho...
- Ai Deus...
Entrego o carro pro Stick que como ele falou se ajustou rapidamente a altura dele e pego a arma de raios, mais uma pancada...
- NÃO VÃO ESCAPAR, EU POSSO CORRER POR DIAS SE FOR PRECISO PRA DESTROÇAR VOCÊS...
Eu abro a pequena portinhola da parte de trás do jipe, não tem uma visibilidade muito boa, mas da pra ver a coisa correndo atrás da gente, ajusto a arma para 100% e faço a mira, acho que só tenho um tiro.
Então uma explosão, uma seqüência de explosões na verdade, mas que diabos?
- Stick o que foi isso?
- A ponte, alguém explodiu a ponte...
A gente continua em linha reta (O máximo que da) a aranha perde o equilíbrio e cai batendo violentamente em alguns carros na ponte, os cabos de aço que sustentam a ponte começam a cair um por um e a ponte a ruir.
- ACELERA AO MAXIMO SENÃO A GENTE MORRE...
Uma chuva de pedaços de carros começa a cair ao longo da pista, a aranha some novamente em meio a brados e explosões, a gente passa pela ponte, mais explosões.
Stick para bruscamente.
- Continua Stick, a gente não sabe se aquela aranha morreu...
Olho pra frente e vejo que paramos em frente a uma barricada e muitos soldados com mascaras e armas do tipo que eu tenho todas apontadas para a gente, uma voz de um megafone.
- SAIAM COM AS MÃOS PARA CIMA, NÃO VAMOS HESITAR EM ATIRAR.
A ponte começa a ruir finalmente, bem como a minha esperança de continuar viva...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fuga...


Estava em uma linda casa de campo tomando sol e bebendo um martine, estava estranhamente feliz, algumas crianças brincavam na piscina, resolvi ir buscar algo pra comer na cozinha e lá encontro uma garotinha ruiva ajoelhada no canto da cozinha.
- O que houve mocinha linda, porque não está na piscina com as outras crianças?
- O que está fazendo ai?
Ela continuava de costas, tinha algo errado, eu sentia isso, mas perguntei novamente:
- Querida?
Então ela se vira, tem muito sangue saindo do lugar onde estavam os olhos dela...
- Meu Deus o que você fez?
- E a única forma de suportar o que você nos tornou, você e um monstro e eu não posso mais olhar pra você...
Acordo toda suada, Stick não está mais na cama, tem algo errado acontecendo:
- Stick querido onde você está?
Stick aparece no canto da sala, ele faz um sinal pedindo silêncio, sim eu estava certa tem algo errado acontecendo.
Aproximo-me e pergunto o que estava acontecendo e ele responde.
- Eles estão aqui, a genti tem ki sai rapidu daqui...
- Eles quem, sair daqui como?
- Rapidu pega as mochila e vamos sair pelo cano du esgoto e pega as armas...
Antes de ele terminar uma enorme aranha com cabeça de criança e patas de aço derruba a porta, felizmente ela e grande demais para atravessar, mas pequenas monstruosidades entram rastejando e uivando.
O odor e terrível, mas os dentes e vários olhos dessas aberrações são ainda mais assustadores, a aranha com cabeça de criança continua a gritar e bater desesperadamente na porta tentando entrar, eu estava mais uma vez terrivelmente assustada, mas dessa vez eu não poderia me dar ao luxo de desmaiar eu tinha que correr.
Stick já estava na entrada do esgoto e gritava pra eu correr, peguei as duas armas sobre o balcão, um tipo de arma elétrica e o que parecia ser uma metralhadora futurista, indiferente a isso eu nunca dei um tiro na vida, e nem sabia como usar aquelas coisas.
Corri pra junto do Stick e ele pegou a arma menor, a aranha estava quase derrubando a entrada inteira, então um clarão e uivos de dor, a aranha tinha sido atingida pelo tiro da arma elétrica.
- Vamus isso só para ele um pouco.
Stick dispara mais dois tiros nas lesmas que se desmancham em gritos de dor...
Uma voz gutural exclama:
- VOU COMER SUAS TRIPAS COM VOCÊ AINDA VIVO MALDITO...
A aranha derruba o restante da porta, mas já estávamos longe correndo pelo antigo esgoto, só escutamos os golpes da criatura contra a parede.
- Você conhece o caminho pra sair daqui Stick?
- Sim conheço, mas a genti tem que ir rapidinhu, aquele bicho não veio sozinho.
Por todo o esgoto se sentia o odor fétido dos monstros, o esgoto que antes parecia abandonado agora parecia totalmente tomado, ao longe muitos uivos de raiva e pancadas, mais gritos:
- ACHEM ELES SE QUISEREM CONTINUAR VIVOS MALDITOS, ACHEM ELES...
- A gente não vai conseguir sair daqui Stick, o esgoto está cheio desses monstros.
- Vai sim, minha vó era esperta e encheu o esgoto de armadilhas, e o caminho que a gente vai seguir e seguro.
Sinceramente eu não acreditava muito, mas que escolha eu tinha afinal?
Aqui estou eu em um maldito esgoto com a minha vida dependendo de um pirralho em um mundo de filme de terror, com uma arma que eu não sei usar a tiracolo, acho que não tem como piorar, e isso e um ponto positivo, eu acho...
- Agora e a parte complicada, a gente vai ter que descer pra subir por aquele buraco ali e ta cheio de bicho ai em baixu, mas pelo menus são os fraquinhos, e só você atirar neles...
- Como assim atirar neles, eu não sei usar essa coisa além do mais se a gente descer ai vamos morrer Stick...
- Pode ser que sim, mas se a genti ficar aqui vamos morrer também não é?
Ele sorriu como se tivesse falando algo totalmente normal, nesse momento tive vontade monstro de socar aquele rostinho pra tirar dele aquele sorriso...
- Sabe me dizer pelo menos como funciona essa coisa?
- Facinho, destrava ela aqui, aqui e o controle de intensidade, deixa ela em 20% purque assim não faz muito barulho nos tiros, mais os bichos vão gritar de qualquer jeitu, mas vamos precisar dessa arma lá na rua então não deixa ela aquecer muito...
- Como diabos você sabe dessas coisas guri?
- Treinei um bocado com a vó, já te disse que a gente tava planejando fugir daqui mesmo, lembra...
- Bom que seja então, vamos...
Derrepente algumas explosões e muitos gritos.
- HAHAHA ( sorriu Stick) se deram mal ...
- Que diabos foi isso Stick?
- As armadilhas que falei, eles acharam HAHAHA.
- Vamos descer de uma vez e sair desse inferno.
- Ta bom...
Ao descer haviam algumas lesmas e três daquelas crianças monstro que partiram pra cima da gente simplesmente alucinados e com seus imensos dentes e olhos sem cor.
- Puta merda...
 com apenas um tiro que me jogou pra trás eles viraram churrasco junto com qualquer outra coisa que houvesse no meu raio de visão.
- Diminui a potencia Andresaa, diminui...
Não havia tempo a perder ali, o barulho do tiro deve ter sido ouvido a quilômetros dali, bom se a gente queria escapar sem ser seguido acho que agora era tarde demais...
- Vem logo Andressa, a gente tem que explodir isso tudo...
- Tou indo, tou indo...
Mal subo na escada escuto um som metalico correndo, só tive tempo de subir e ouvir um golpe muito forte na parede, a aranha aparece gritando e uivando de raiva , felizmente mais uma vez ela e grande demais pra passar, ela coloca a cabeça hedionda de criança pelo buraco somente pra levar mais  um tiro do Stick.
- ARGHHHHHHHHHHHHHH, DESGRAÇADOOOOOOOOOOOOOO...
- Sai Stick eu vou matar ele...
- Não tem tempo, corre ali na frente a gente explodi tudo e ele morre...
Três monstros com vários braços correm em nossa direção, mas que inferno de lugar e esse afinal, diminuo a potencia da arma e disparo, o tiro dessa vez não me derrubou, mas só acerto o do meio.
A cabeça dele explodiu instantaneamente, ferrou eu disse, mas nada aconteceu, os outros dois monstros ficaram parados sem nenhuma ação, não importava no momento, continuamos correndo pra um galpão onde havia um tipo de jipe muito grande.
Entramos no carro e havia um controle, Stick apertou um botão é o que se seguiu foi uma sucessão de explosões de deixar filmes de ação no chinelo.
- Como essa coisa anda Stick, não tem nenhuma chave aqui?
Stick gritou:
- CARRO LIGAR...
O carro ligou e eu pisei no acelerador o mais fundo que pude, tudo ali estava indo pelos ares, arrebentei o portão da antiga estação de esgoto e não antes de sair vejo mais um monstro, mas esse e diferente dos demais, tem uns três metros, muito forte e carrega uma gigantesca arma nas costas, só o vejo a tempo de ver ele sorrindo pra gente, mas o que importa agora e sair da cidade...

Sorrir ou não sorrir?


Como se expressa em palavras o que se sente?
Andei pensando muito sobre isso ultimamente, tipo como eu posso escrever e passar o que sinto por umas poucas e simples palavras, sem ser pedante demais (Já que os poucos contatos que ainda tenho assim me julgam) e sem querer tentar passar que eu estou bem é a vida e linda?
Não, a vida não vai bem, sinceramente, eu diria que a vida vai tão bem quanto um tratamento de canal em um dente inflamado, então a grande pergunta, quem se importa se a minha vida vai tão mal?
A resposta e sempre simples, direta e cruel, NINGUÉM LIGA.
Já tentou conversar com uma pessoa sobre algum problema seu e tudo o que se consegue e ouvir de quem se prestou a te “ouvir” comentar sobre o quanto a vida dela e pior do que a sua?
Não estou reclamando, estou apenas constatando uma verdade, ninguém quer ouvir os nossos problemas, ninguém tem tempo, saco, paciência ou um pouco de interesse em ajudar.
Não digo que um simples conselho não seria legal, nem é o caso, bastava ouvir, bastava se interessar um pouco sei lá...
A vida anda estranha, cheguei a um ponto de que se por um lado estou progredindo por outro eu estou se não regredindo eu diria que ando totalmente alheio, sem amigos, sem ficantes, sem colegas de verdade, sem ter com quem beber uma simples cerveja e comentar sobre o tempo.
Tudo o que tenho e um punhado de conhecidos de onde eu trabalho com os quais eu não tenho nada além do mais restritivo contato que um ser humano pode ter com outro ser humano, contato profissional.
Por outro lado temos a internet, o maravilhoso mundo da internet, tantos amigos, tantos sorrisos, tanta gente perfeita e de bem com a vida...
E interessante o quanto isso me soa falso e vazio, já tentei estabelecer conversas mais profundas e sinceramente já desisti...
Ontem durante uma reunião de família planejada por minha mãe sem o meu conhecimento prévio, fiquei sentado observando, pessoas rindo, bebendo, se socializando umas com as outras e do nada me veio o pensamento, talvez não do nada afinal, QUE PORRA HÁ DE ERRADO COMIGO AFINAL?
 Por que eu não consigo apenas viver e parar de observar, por que eu não consigo ser como todo mundo que não vive em um mundo a parte dos demais, alguém simplesmente automático, alguém que sorri na hora certa, que fica triste na hora certa e, no entanto não consegue dizer um simples bom dia se não for algo estritamente necessário?
Eu não sei dizer se isso e carência, pois sempre achei que essa coisa de gente carente e frescura de gente fraca, mas o que mais explicaria esse abismo que existe entre a minha pessoa e qualquer outra forma de vida “pensante”?
Ando bem deprimido por conta do meu atual quadro de isolamento social, e claro que eu me esforço para permanecer nele, seja recusando convites para os famosos “programas de índio” até convites que podem ser legais, mas eu ainda assim não vou a eles por algum motivo, imagino que meu estado patológico de fobia social esteja se agravando.
Ontem me perguntaram o motivo de eu ainda não estar namorando, acho eu faz pelo menos uns bons seis meses ou mais que não apareço com ninguém em casa, mas como posso explicar para pessoas normais o quanto uma relação me parece desinteressante em todos os sentidos, e claro tem sempre o sexo, mas sinceramente ando preferindo ficar trancado no meu quarto a ter algum contato com quem quer que seja, possivelmente eu sou de fato doente, mas a verdade e que me acostumei a ser infeliz, essa e talvez a verdade que eu não queria admitir.
O que mais pode explicar meu estado de letargia social?
Minha mãe esteve na Bélgica por alguns meses, e eu aproveitei todo esse tempo para de fato ficar realmente só, eu não sei se estou me fazendo entender, talvez eu não me importe se alguém vai entender. 
Desde que descobri que escrever e uma forma de colocar para fora de uma forma mais efetiva as minhas frustrações e um pouco do meu mundo, a quem se interessa em perder alguns minutos lendo, eu tenho me encantado com essa possibilidade de continuar vivendo no meu mundinho, e quem sabe poder estar ajudando alguma alma perdida e sombria nesse mundo infeliz, mas sempre com um rostinho de felicidade em cada esquina miserável dessa terra sem compaixão para com os que não sabem como dar um sorriso, se não for com sinceridade.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Vivian...



Já fazia pelo menos umas três horas que eu andava na estrada para o rancho Vivian, meu estomago já roncava alto e eu ainda tinha que lidar com as tonturas por conta da fome, eu não tinha muita escolha, tinha que comer meu ultimo pedaço de carne seca que eu tinha na mochila com o que restava de água, eu estava guardando para emergências, mas acredito que aquilo era uma emergência.
O fato e que se eu não conseguisse algo pra comer ainda hoje, bom, não queria pensar na opção, me sentei em baixo de um tronco seco que ainda fazia alguma sombra...
Olhei pra cima pra ver se não havia alguns abutres (como nos filmes de outrora) esperando o meu fim, mas não havia nada, na verdade há semanas que eu não via nada vivo naquela terra, nem mesmo aquelas criaturas horrendas e fétidas.
Comi minha ultima porção de comida e voltei a caminhar novamente, sem muitas esperanças no final das contas, o tal rancho deveria ser apenas um monturo de lixo como tantos outros nessa terra amaldiçoada, nossa como eu queria gritar com algo ou alguém, como eu queria me livrar dessa raiva que sinto nesse momento, eu já estava nessa terra infeliz há tanto tempo e até aquele momento eu não havia parado pra pensar em como infernos eu cheguei ali.
O fato e que eu não me lembrava muito bem, havia apenas aqueles sonhos de outra vida, mas eu nunca descartei a possibilidade de já ter morrido é esse lugar ser o próprio inferno que me ensinavam na escola bíblica, mas não importava também, tudo o que importava era sobreviver, bom eu me pergunto para o que afinal, mas o instinto sempre e mais forte e no final das contas quem é que quer morrer?
Ao longe avistei o que era uma construção, talvez o rancho, quem sabe com sorte não tenha alguma comida por lá, afinal essa estrada fica bem fora de qualquer rota e pode não ter sido saqueada, mas ao caminhar em direção a casa eu sabia que na verdade só não queria admitir o óbvio, era o meu fim...

Ao chegar ao rancho vi que ao contrario do que eu imaginava a casa estava em um ótimo estado o que melhorou bastante meu animo, era uma casa enorme e com cara de ser bem antiga, mas o que me chamou mais atenção não foi a casa em si, mas sim uma bomba de água, daqueles modelos antigos, corri em direção dela e comecei a bombear.
- Por favor, tenha água, por favor, tenha água, por fa...
Então água, eu não ficava tão feliz assim, bom sei lá há quanto tempo, o que importava e que havia água e eu bebi o máximo que pude até engasgar, saciado peguei um balde que tinha perto e enchi ele, tirei os trapos que me cobriam e coloquei a mochila junto da parede.
Após algumas semanas sem um banho aquilo era simplesmente divino, deixei a água cair sobre a minha cabeça e um após o outro eu me sentia limpo, sentia renovado, quem sabe a desgraçada da sorte não tenha voltado a sorrir para mim novamente, quem sabe eu..., mãe do céu como eu estou magro...
De fato tudo o que restava era um saco de pele e ossos que ainda andava, minha pele estava cheia de queimaduras por conta do sol, meus pés, bom, um dia foram pés, no momento eram apenas bolhas.
Fiquei deitado um pouco na pedra ao lado da bomba, lavei meus trapos e vesti a ultima peça de roupa inteira que eu tinha, uma calça jeans surrada e uma camiseta regata, não tinha muito o que fazer com relação aos meus pés então enfiei eles dentro da velha bota de couro e fui vasculhar a casa.
A porta estava aberta, tirei uma velha faca de caça que peguei de um soldado morto há algumas semanas e abri a porta, gritei um “TEM ALGUÉM AI” óbvio sem resposta e para a minha surpresa a casa estava perfeitamente arrumada, não importava e claro, eu só conseguia pensar onde ficava a cozinha e logo a encontrei, abri os armários, estavam cheios de caixas com todo tipo de comida e bebidas, fui tomado pela emoção, porra eles tinham até cereal e leite...
Enchi um prato com o cereal e o leite, peguei açúcar que tinha sobre a mesa e coloquei no cereal, nossa aquilo era perfeito demais, por um minuto eu pensei que talvez estivesse sonhando, mas não estava eu sentia o sabor doce do açúcar na minha boca, por um minuto eu simplesmente esqueci de onde estava, a fome era maior do que a precaução.
Abri um saco de bisnagas e comi como se fosse a minha ultima refeição e então escuto um click.
Tem alguém no porão, devem ser os donos da casa e até onde eu sei ninguém deixa toda essa comida sem proteção, encho uma caixa com tudo que consigo carregar e saiu correndo pra fora da casa, à tontura volta, apesar de ter comido algo a minha dieta nas ultimas semanas não tem sido das melhores, isso quando houve alguma.
Junto meu trapos e pego a minha mochila e saiu correndo, as pernas tremem, a cabeça gira, mas eu tenho que correr, eu não quero morrer...
- Ei pare, volte aqui, espere...
Escuto uma voz feminina, passos de três homens correndo pra me pegar, mas não olho pra trás, mais uma vez a sorte me abandona, a sorte e como uma mulher ingrata que uma hora te coloca no céu e no outro minuto te toma tudo.
A tontura aumenta, eu não vou conseguir fugir, só escuto os passos se aproximando, e o meu fim, cacete eu vou morrer...
- PARADO – Grita um dos homens a uns 2 metros de mim.
Outro me derruba, a comida toda cai no chão, mas não importa tudo o que importa e ficar vivo, tudo que importa e continuar respirando...
- Eu não vou... comida... minha...
Nem consigo falar, minha cabeça gira, fica tudo branco, eu não quero morrer, eu não quero morrer.
Abro o olho e vejo que estou cercado e preso no chão, tento inutilmente me soltar, não tenho mais forças, e o meu fim, vou morrer como a porra de um ladrão, e o meu fim, eu começo a chorar...
- O que diabos você estava tentando fazer homem se acalme, não vamos machucar você.
Só me recordo de tentar dizer:
- Eu não... qu...morrer...
E então tudo se apagou.