segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pedaços de uma vida...


Na frente do pc pensando no que escrever, ou qual ego eu vou inflar hoje, pensando no passado, pensando nas minhas dores no corpo, minha mãos tremem meus ossos reclamam que precisam descansar os olhos ardem o sono não chega...
Olhei o decote de uma mulher vindo pra casa, uma bela loira, pensei na futilidade de olhar algo que em tese não e pra ser olhado, mas que todo mundo olha, a mulher coloca essa roupa pra chamar atenção, mas não quer pegar ninguém olhando, lógica nunca foi o forte das mulheres mesmo, virei o rosto e fiquei olhando o nada dos carros passando, pensei na fumaça, olhei os rostos cansados dentro dos carros passando, tão cansados quanto eu, quem sabe com filhos em casa esperando por eles, uma família, cachorro ou gato, contas...
Estava sentando na areia a alguns anos de uma praia qualquer, era noite, não haviam estrelas e tudo estava escuro, só eu e o absoluto nada, o barulho do silêncio o vento frio da noite na praia, as ondas quebrando, o cheiro do mar, tudo isso me traz uma paz tão grande que é como se eu nunca tivesse tido paz em outro lugar...
Eu acho que estou doente, sério, doente mesmo, não só fisicamente, sinto minha mente em frangalhos, meu corpo anda cheio de dores, nada mais me anima, minha alma está morta...
Ontem bebi algumas cervejas em um bar e fiquei embriagado, eu não tinha almoçado, eu não tenho almoçado há dias, a mente funciona, mas o corpo não, pessoas riam, se divertiam, eu só pensava no vazio de tudo aquilo...
Ando pensando em tanta coisa ultimamente, sinto tanta falta de tudo, até da minha vida horrível em Pernambuco, dos dias de fome e solidão, dos dias sentado no chão com um copo de vinho ouvindo nirvana sem ter comido nada o dia todo, pensando sempre pensando...
Nesse dia estava faltando água e eu deixei a torneira aberta com um balde pra quando chegasse à água eu juntasse ela, me sentei ao lado e bebi, ouvindo Come as you are, encostei a cabeça na parede, a água chegou, chegou e encheu o balde, eu deixei ele transbordar...
A água molhou as minhas pernas e foi escorrendo pelo corredor... 
Take your time, hurry up
Choice is yours, don't be late
Mais um gole de vinho, não lembro se era cedo ou tarde, a música acabou e eu fechei a torneira...
Eu acho que estou doente, sério, doente mesmo, não só fisicamente, sinto minha mente em frangalhos, meu corpo anda cheio de dores, nada mais me anima, minha alma está morta...

Devaneios de uma alma atormentada...

Eu me pergunto hoje onde me encontro nesse mundo sem lógica, porque eu não consigo apenas me deixar levar sem analisar nada que me acontece?
Por que eu ainda tenho consciência quando ninguém mais tem?
Beber, fumar, beber, dormir com uma mulher que você só viu uma ou outra vez, sexo casual dizem, gastar dinheiro que não se tem, sorrir, se alegrar, beber de novo, sexo com outra mulher que você nunca viu...
Todo mundo faz isso, mas eu não consigo, não consigo expressar o vazio que sinto com palavras, não consigo pensar em nada que não seja a ressaca moral, eu não sou isso, não sou assim (me engano)...
Apenas uma dose eu penso, apenas isso...
Eu sou o cara que vive sem amigos, sem contatos, sem nada além do trabalho, estudo e mais trabalho, eu não ligo ou eu ligo pra tudo de uma forma mais intensa do que gostaria?
Eu não sei dizer bem o que se passa (e ninguém se importa), mas sinto falta da minha vida de solidão, meus dias sozinho com livros, sem TV, com música e vinho, uma casa escura e fria, uma cama tão gelada quanto a minha alma...
Bobagens eu penso, apenas e somente isso...
Apenas ressaca moral de uma noite estranha onde eu sempre faço o possível pra não lembrar nada, não gosto de beber, não fumo, sorrisos de uma falsa felicidade que se prova ser tão efêmera que me assusta, acendo um cigarro, mas eu não fumo...
Apenas solidão eu penso, apenas isso...
Você precisa de uma namorada cara, sério, eu preciso de um novo emprego (eu me cobro), você precisa arrumar o seu quarto (Me falou minha mãe) ou seria a minha vida? Que vida?
Apenas o vazio eu penso, somente isso...
Pensei em fazer algo pra sair dessa depressão pela qual passo, sabe como é a vida, não espera que a gente saia de depressões, ela simplesmente ignora todos os fracos e segue, eu já não tenho tempo a perder, sou velho (Eu penso), sou sozinho (Afirmo), quero morrer (EU nego), quero viver (Viver?)...
Apenas viver eu preciso, apenas isso...

sábado, 5 de novembro de 2011

Filhos das sombras - parte 1



Estávamos em uma missão importante: matar o comandante das tropas invasoras, mais conhecido como Gannus, a inteligência de Naax que por anos tentou em vão matar ele de todas as formas finalmente tinha a localização do maldito e um plano, mobilizaram seus dois melhores assassinos para tal feito, nossos nomes foram escolhidos pelo próprio potentado Victor que disse em conferência:
- E uma missão delicada que exige nossos melhores homens, e não conheço nomes melhores do que Helen e Proudstar.
Quero ambos nessa missão e não aceito outro resultado que não seja a morte de Gannus, confio em vocês pra darmos um fim a essa guerra...
Proudstar e eu éramos assassinos classe alpha do governo, quando algo saía do controle eu ou ele éramos acionados para “resolver” o problema, qualquer que fosse o problema.
Mas dessa vez era diferente, ambos fomos convocados para a mesma missão, era conhecido por todos que existia uma grande rivalidade entre nós, sempre disputamos para saber quem era o melhor, pelo menos era o que queríamos passar para a grande maioria, mas na verdade éramos amantes há muito tempo e sonhávamos em sair daquela vida para viver a nossa, era nosso sonho, mas assassinos não tinham direito a sonhar, e aprendemos isso nessa missão da forma mais cruel.
Era noite, mas não uma noite qualquer era a noite do alinhamento das três luas. Uma noite que durava cinco dias que era conhecida como a semana das sombras, pelo motivo óbvio e claro, existiam muitas festividades durante essa semana, de culto aos mortos e reverência aos antigos deuses, tolices sem sentido, mas mesmo para céticos eram dias assustadores e até místicos.
Estávamos bem próximo da Fortaleza Oca, uma aberrante e gigante fortaleza viva criada com a chegada dos invasores, o ataque seria na hora mais escura do segundo dia das trevas, quando o ápice da escuridão reinaria e nossos “dotes” teriam o melhor uso.
- Confesso que estou nervoso, Helen, já passamos por muita coisa ruim nessa guerra, mas invadir a base deles é suicídio, assim como todo mundo eu quero o fim dessa guerra e daria a minha vida por isso, mas essa missão é loucura.
- A inteligência afirmou que a base deles está com pouca segurança e que não vamos ter uma chance melhor de invadir esse lugar maldito e...
- CONVERSA FIADA, pura conversa fiada, quando foi que essa inteligência de merda teve razão ou acertou algo? 
Mandaram os melhores assassinos de Naax para a morte certa, e eu nem sei o motivo...
- Concordo com você Proud, mas não temos escolha...
- Esse sempre foi o nosso problema Helen, nunca tivemos escolha em nada nessa vida maldita, nunca...
Algo se aproximava. 
Uma patrulha de andarilhos aranha, essas coisas sempre andavam em um grupo de três porque eram ligados mentalmente uns aos outros, um como mente e os outros dois como corpo, pelo menos era o que a inteligência afirmava, mas pela experiência que ganhamos nos anos de guerra  pelo menos nisso eles tinham razão, bastava matar o líder ou o de mente mais forte entre os três que os demais ficavam inoperantes e vítimas fáceis.
Proudstar era mestre em matar essas aranhas ele sempre sabia qual matar, só havia o silêncio e a escuridão da noite das sombras, as aranhas andavam pelo pequeno caminho falando algo no idioma delas, o fedor de seus corpos amaldiçoados era sempre terrível, eu estava de um lado do pequeno caminho e Proudstar do outro.
As aranhas passavam lentamente olhando para todos os lados, então um forte vento passa uivando entre as aranhas tornando seu fedor anda mais terrível, elas cobrem seus olhos da poeira, não se escuta nada além do som do vento e de folhas secas no ar, um rápido salto, um golpe certeiro no pescoço, um pequeno gemido de morte seguido por um esguicho de sangue negro e podre da aranha, uma cabeça a menos...
As duas aranhas restantes ficam paralisadas sem saber o que fazer, não me demoro e arranco suas cabeças fora com dois golpes pondo fim a patrulha delas.
O fedor que já era forte fica em vias do insuportável, como aquelas coisas se aguentavam era um mistério, mas os anos em guerra já haviam nos tornado imunes aos vômitos que  causavam em soldados mais verdes de sangue.
- Você tem que me ensinar como sempre acerta qual delas matar, seu maldito.
- Claro que não, se eu ensinar vou perder nossa disputa sua tolinha.
- Eu sempre fui melhor do que você seu idiota e você sabe disso.
- Morrerei negando isso...
Beijamo-nos rapidamente e voltamos a nos esconder, e esperar. 
A maior virtude de um assassino é a paciência, esperamos por horas sem dizer uma única palavra, esperamos pelo momento certo de agir. .
Então, finalmente vemos Gannus entrando na fortaleza cercado por guardas, Gannus era um gigante com um colar de crânios ao redor do pescoço, já tínhamos o visto em combate e sinceramente eu não teria coragem de encarar aquele monstro abertamente. 
O fato era que chegou a hora, só deveríamos esperar a troca de guarda e invadir, o traje que usávamos garantia invisibilidade à olhos desatentos e nossas técnicas com espadas e facas garantiam que nada em nosso caminho sobreviveria caso fossemos descobertos.
Duas horas depois da chegada de Gannus, houve a troca de guarda, o relógio marcava 13:50 da tarde, mas eu jamais havia estado em um breu tão grande, apesar da iluminação da base a noite parecia consumir toda fonte de luz que existia, era a nossa chance, nosso momento, viver para matar e matar para viver esse era o nosso lema, olhamos um para o outro e trocamos um beijo, um beijo doce e quente, nosso ultimo beijo...
- Vamos acabar com essa guerra, minha amada, vamos reescrever a história, vamos ser eternos...
- Ou pelo menos morrer tentando, meu amor – Falei.
Corremos como o vento por entre as poucas árvores que restavam, duas sombras em busca de sangue e levando morte, dois grupos de guardas humanóides protegiam o lado leste da fortaleza. Chamá-los de humanóides era elogiar demais, eram coisas que lembravam humanos de longe. Não houve tempo para luta ou gritos, nós não éramos assassinos classe alpha à toa, éramos o melhor e tínhamos uma missão, e essa missão ia cobrar o sangue de muitos nessa noite.
Entramos pela entrada leste e lentamente, seguindo um longo corredor, chegamos a uma antecâmara. Haviam dois gigantes com vários olhos e pranchetas na mão verificando algo que lembrava um casulo dentro da base - cientistas, pensei -  logo saíram, mal sabem que escaparam da morte certa, deve ser o dia de sorte deles, pensei.
De acordo com a inteligência, Gannus fica em uma sala com um grande trono feito de caveiras humanas, eu  não havia entendido como haviam conseguido essa informação, duvido muito que qualquer outro que não fosse eu ou Proudstar teria alguma chance de entrar aqui e sair desse lugar vivo para reportar a alguém, tudo estava ocorrendo como o planejado e isso me assustava mais do que estar dentro da toca do lobo. Mas ao prosseguir achamos o maldito lugar, não era apenas o trono que era feito de ossos humanos, mas sim todo o chão, a maldita fortaleza estava em cima de um cemitério de humanos, centenas, milhares deles uma cena odiosa, mas eu tinha que me conter. Proudstar estava tão enojado quanto eu, mas o que importava era a missão, matar o desgraçado responsável pela morte de tantos e terminar aquela guerra.
Continuamos entrando na grande sala, ao fundo uma luz e ouvíamos  algumas criaturas falando algo à Gannus que estava de costas para nós gesticulava e dando golpes em uma mesa, era perfeito demais, não haveria falha eu vi isso nos olhos de Proudstar e tinha comigo a mesma certeza, mas algo estava errado. Acho que a vontade de terminar com aquilo havia nos cegado, no mundo dos assassinos nada nunca é perfeito demais, não existem planos que funcionem sempre como o planejado. E lá estava o líder do exercito inimigo de costas para os maiores assassinos de Naax esperando o golpe que daria cabo de sua vida.
Não houve tempo para confabular, perfeito ou não algo seria feito e partimos ao ataque que culminaria na morte de Gannus; corremos sem fazer nenhum som mesmo tendo sob os pés milhões de ossos. Eu com minhas duas espadas e Proudstar com sua Katana e faca...
Um golpe preciso no coração da criatura foi desferido por Proudstar eu cortei a cabeça e um dos braços, o gigante caiu sem dar um único grito de dor, as criaturas que o cercavam estavam boquiabertas com o que viram, Gannus morreu, mas não havia tempo a perder e massacramos todos na sala, ninguém teve tempo de reagir ou correr, em poucos minutos entre gritos de horror e dor estavam todos mortos.
- Acabou, Helen?
- Eu acho... Que acabou...
- Mas como pode ter sido assim tão fácil?
- Não temos tempo pra pensar nisso, logo aqui vai estar cheio de guardas, vamos embora rápido...
- BRAVO, BRAVÍSSIMO, SIMPLESMENTE PERFEITO.
Palmas se seguiram a voz forte e rouca, um sorriso hediondo se seguiu, então mais uma vez ele fala.
- EU NÃO PODERIA TER MELHORES SOLDADOS EM MINHA TROPA, VEJAM ISSO SEUS INÚTEIS, APENAS DOIS HUMANOS INVADIRAM NOSSA FORTALEZA ME “MATARAM” E SAIRIAM ILESOS, E NENHUM ALARME SEQUER FOI ACIONADO...
- Quem diabos é você? – Falei.
- Apareça e morra desgraçado. – falou Proudstar.
- HAHAHAHAHAHAHA, QUEM PODERIA SER ALÉM DO GRANDE GANNUS, AH, CLARO, VOCÊS ME MATARAM BEM ALI. MAS ME DIGAM, POR ALGUM MINUTO ACHARAM QUE SERIA ASSIM TÃO SIMPLES ME MATAR?
- POIS BEM DESSA VEZ EU DAREI A CHANCE A VOCÊS DE FATO, CADA UM VAI PODER DESFERIR SEU MELHOR GOLPE E QUEM SABE ACABAR COM A GUERRA. NÃO É MESMO?
O gigante sai das sombras cercado por aranhas de elite com carapuças de aço, seu corpo é negro e lembra uma armadura medieval, não vejo locais onde atacar e como se não houvesse falhas em sua proteção, desligamos a invisibilidade e o encaramos.
- VOU DAR UMA DICA, HUMANOS, A MINHA CABEÇA É O PONTO MAIS VULNERÁVEL DO MEU CORPO, SEI QUE COMO ASSASSINOS CLASSE ALPHA JÁ DEVEM TER NOTADO QUE NÃO VAI ADIANTAR ATACAR MEU CORPO COM ESSAS ARMAS QUE USAM, ENTÃO O QUE ESTÃO ESPERANDO, NÃO TENHO A NOITE TODA, ATAQUEM...
Olhamos um para o outro, os olhos e as orelhas, eram os únicos locais onde desferir um golpe, seguramos as nossas armas com força e partimos. Rápidos como um raio, levando em nossos passos a morte, viver para matar e matar para viver, esse era o nosso lema...
Dois golpes foram desferidos sem que Gannus desse um único passo, um certeiro nos olhos e o outro dentro de sua orelha; nenhuma gota de sangue, sequer arranhamos a criatura. Caímos para trás sem saber o que fazer...
- BOM AGORA QUE ACABARAM É A MINHA VEZ DE BRINCAR...
Com uma velocidade absurda, até mesmo para nós dois, ele nos jogou contra a parede de ossos quebrando as minhas pernas e perfurando o pulmão de Proudstar, estávamos mortos, pensei.
- HELENNNNNNNNNNNN...
- PROUD, AAAAAHHHHHHHHHHHH...
Com as pernas quebradas tentei me arrastar para perto de Proudstar que estava ofegando na parede, havia muito sangue saindo pela perfuração e da boca...
- Meu amor não morra, eu estou indo...
- AH O AMOR, QUE BELO SENTIMENTO ESSE, É TÃO DOCE, TÃO PRAZEIROSO, TÃO HUMANO...
- Proud, estou indo não morra...
As risadas de Gannus ecoavam pela sala, eu tentava me arrastar para alcançar Proud, mas a dor era enorme, havíamos falhado, fomos prepotentes demais, fomos enviados a morte, Gannus sabia de nossa chegada alguém nos traiu...
- SIM, HUMANA, VOCÊS FORAM ENVIADOS A MIM, MAS NÃO PARA MORRER E SIM PARA VIVER, PORÉM, NÃO MAIS COMO HUMANOS E SIM COMO MEUS PRIMONATOS, MEUS GUARDAS DE ELITE...
- Prefiro a morte desgraçado, jamais vou servir algo tão odioso quanto você...
- VIVER PARA MATAR E MATAR PARA VIVER, NÃO É ESSE SEU LEMA? 
POIS VOCÊ VAI TER A SUA CHANCE DE ME MATAR NOVAMENTE MULHER, MAS EM UMA NOVA VIDA, HELEN, TANTO VOCÊ QUANTO O SEU AMADO TERÃO ESSA CHANCE EU PROMETO, MAS NÃO HOJE NEM AGORA...
- LEVEM AMBOS PARA EMILLY NO BERÇÁRIO, ELA SABE O QUE FAZER COM ELES.
 VEJO VOCÊS EM BREVE HUMANOS...
As aranhas pegaram a gente e nos jogaram dentro de um casulo com um líquido negro. 
Proudstar sangrava muito, mas eu sabia que seria assim, a vida de um assassino sempre termina em sangue, viver para matar, que forma idiota de levar a vida, eu sempre soube disso...
Mas nunca tivemos escolhas, com esse pensamento e os olhos voltados para o meu amado eu clamei para que a nossa morte fosse pelo menos rápida, o único luxo que um assassino pode se conceder, uma morte rápida e indolor...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Entre presas e aranhas...


- Aqui é o capitão Crixus do esquadrão Bravo, saiam com as mãos para cima ou serão mortos.
Naquele momento não havia muitas escolhas, estávamos eu e Stick cercados por soldados, tínhamos escapado por pouco de virar entulho junto com a ponte e de participar de um banquete em um pesadelo onde seriamos o prato principal, isso sem contar aquela coisa perseguindo a gente e agora mais essa.
- Por favor, não atirem, estamos saindo.
- Mas que porra... Uma mulher e uma criança?
Bradou o capitão.
- Por favor, não atirem...
Saímos do carro e o capitão no megafone repetiu que deveríamos manter as mãos na cabeça ou seriamos mortos, dois soldados foram até a gente e nos revistaram, olharam pra dentro do carro e fizeram sinal de que estava tudo limpo, e foram levando a gente até a barricada.
No meio do caminho...
Vemos uma enorme sombra negra no chão, olhamos para cima e pulamos pro lado a tempo de sair do caminho. Os dois soldados não tiveram a mesma sorte, um grande estrondo no chão e os dois, que nada puderam fazer, viraram uma pasta de sangue e vísceras no chão, era simplesmente impossível acreditar, mas a aranha continuava viva e seus olhos vermelhos e sua boca espumando de raiva estavam a poucos passos da gente...
- ESQUADRÃO ABRAM FOGOOOOOO...
Gritou o capitão no megafone.
Eu rolei para baixo do carro abraçando Stick e todos os soldados começaram a atirar contra a aranha que avançou contra eles, as pernas de aço bloqueavam os tiros de raios, e com um golpe ela derrubou a barricada e matou mais dois soldados;
- NADA NESSE MUNDO VAI ME IMPEDIR DE BEBER O SANGUE DESSES DESGRAÇADOS, HUMANOS IMUNDOS, NÓS SOMOS O FLAGELO...
- Merda como é que a gente sai dessa, Stick?
- Vem aqui pra trás Andresssa, rápido.
Peguei a arma do chão, da mão do que restou do soldado e fui para trás do carro com o Stick, a aranha continuava a bradar e se defender dos tiros, os soldados pareciam perdidos, pois mal conseguiam se defender, os disparos refletiam nas pernas da aranha e a criatura era absurdamente rápida, sabia bem como se defender. Cada golpe dela no chão fazia tudo tremer e os soldados que perdiam o equilíbrio fatalmente eram mortos, dado a velocidade daquela coisa.
- Andressa, atira na cabeça dele, ele tá de costas.
- Mas e se não funcionar ela vem pra cima da gente.
- Mais ela vai fazer isso logo que matar os soldados de qualquer jeito não? Atira logo...
Um grito de dor e um soldado é rasgado ao meio por uma das pernas da aranha, o capitão joga uma granada por baixo dela. Uma explosão de luzes e fogo que a joga pra trás e mais duas pernas dela voam longe, uma das pernas amassa um dos carros, por uns segundos a aranha fica grogue...
- AAAAAAAAAAAARGHHHHHHH...
- Atira Andressa, atira...
Faço a mira e aperto o gatilho, mas o tiro é forte demais e sou jogada para trás, a aranha se defende e com uma rapidez absurda se levanta novamente e parte pra cima da gente, aquele corpo aberrante de criança deformada misturado a uma aranha gigantesca vem em nossa direção com toda a fúria de uma criatura ferida de morte, mas ainda assim parecendo ter a mesma disposição do início, da um salto sobre o carro e fica na nossa frente. Seus olhos malignos que parecem brasas, seu corpo ensangüentado e ferido, o odor podre de sua carne me deixam simplesmente paralisada de medo.
- AGORA VOCÊS MORREM.
Ergue uma das patas e aponta pra gente sorrindo muito.
- MORRAM HUMANOS, MORRAM ESCÓRIA...
Abraço-me com Stick, esperando o golpe que vai levar nossas vidas e então escuto mais um tiro, um clarão na nossa frente, uma explosão, o odor de carne podre queimada...
O monstro silencia e cai de lado, o capitão deu um tiro certeiro na cabeça da criatura que finalmente cai morta expelindo aquele sangue fétido.
- Essa foi por pouco hein? Falou o capitão se aproximando.
Eu continuava abraçada com o Stick, ambos paralisados de medo. Será que aquela coisa morreu de fato dessa vez? Mas tudo o que víamos eram as pernas restantes se movendo um pouco.
O capitão para na nossa frente e retira a mascara, ele e um homem com os seus 40 anos e uma grande cicatriz negra na testa, então ele fala:
- Perdão por nosso começo ruim, sou o Capitão Crixus de Esthar, e esse é o meu pelotão bravo.
- Seu desgraçado começou a atirar mesmo comigo e com o Stick na mira, quase que somos mortos...
Sem responder, ele continuou:
- Agora voltando ao início, como diabos uma mulher e uma criança conseguiram sair vivos dessa cidade amaldiçoada?
- Nem a gente sabe capitão, nem a gente sabe. – Falou Stick.
- Vamos ter muito tempo para conversar, mas aqui não é o local apropriado, além de ser muito perigoso, mesmo sem a ponte essas criaturas chegariam aqui rapidamente, vamos voltar a base e reagrupar.
- Desde que a gente saia de perto dessa coisa, eu vou pra onde o senhor me levar - Falou Stick.
- Não se preocupe com ele, esse já voltou pro inferno de onde veio.
Voltamos para o nosso carro, acompanhados por dois soldados e seguimos o comboio deserto adentro.
Não me lembrei de perguntar ao Stick se estávamos no caminho certo para o rancho Vivian, mas desde que ficássemos longe daquela cidade estava perfeito para mim.
Alguns minutos após a nossa partida algo chegou junto ao que restava da aranha.
Tinha por volta de três metros, uma arma gigantesca que era um misto de machado medieval e um canhão nas costas, um colar de crânios humanos em volta do pescoço e duas figuras que lembravam sombras de longe, mas com formato de humanos com longos e afiados braços, um homem e uma mulher.
- UM FIM APROPRIADO PARA UM IDIOTA NÃO ACHAM? – Bradou o gigante sorrindo.
- Já não era sem tempo meu senhor negro, já não era sem tempo. Falou à criatura, que parecia ser uma mulher.
- Vamos seguir os humanos, meu senhor? – falou o homem?
- EU SIM, VOCÊS TÊM OUTRA MISSÃO, EM UM LUGAR CHAMADO VIVIAN.
- Quais as ordens Lord Gannus? Falaram ambos ao mesmo tempo.
- A MESMA ORDEM DE SEMPRE MAN – CHAN E RIN - CHAN, PERSEGUIR, DESTRUIR E MATAR QUALQUER COISA VIVA POR LÁ.
- Sua vontade é a nossa vontade meu senhor.
- AGORA SUMAM DA MINHA FRENTE, EU TENHO UM TIPO DE CAÇA MAIS ESPECIAL.
Com essas palavras o gigante seguiu seu caminho... 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Despertar...


Eu estava em mais um daqueles sonhos de uma vida de outrora, estava em uma praia com muita gente, usava uma camiseta, short um chapéu ridículo e um óculos de sol como todo bom turista, era uma daquelas festas de praia e estava havendo um concurso de garotas de biquíni na piscina do hotel ou algo que o valha.
 Eu já me considerava um velho para essas coisas e resolvi me sentar em uma mesa mais distante e ler um jornal com algumas margueritas, na capa do jornal tinha uma notícia sobre um novo grande estadista que defendia a paz e o desarmamento, seu nome era Victor, engraçado um jornal dar tanto crédito a um total desconhecido falando em paz e amor, mas a imprensa deve ter lá seus motivos e atualmente não estava acontecendo nada de muito interessante, fora as eternas guerras no Oriente Médio.
Fiquei folheando o jornal sem absolutamente ler nada, na verdade eu só pensava no contrato com a nova indústria farmacêutica que andava provocando burburinhos no mundo corporativo e o motivo pelo qual eu tinha ido à praia, se aquela nova linha de medicamentos fizesse apenas metade do que se prometia nós ganharíamos bilhões, muito embora houvessem dezenas de estudos apontando para possíveis efeitos colaterais sérios isso não seria nenhum problema, eu estava muito próximo de conseguir fechar o contrato e não seria alguns estudos que me impediriam.
Foi quando me dei conta de que o som havia parado, pode ser que o concurso tenha acabado, mas por que todo aquele silêncio afinal?
Então me dou conta de que não tem mais absolutamente ninguém na piscina do hotel, tampouco na praia, está tudo deserto e abandonado ou quase tudo...
Em uma mesa do outro lado da piscina eu vejo uma senhora com um cachorrinho bebendo algo e olhando para uma revista, o dia se torna estranhamente nublado então vou em direção dela.
- Com licença, bom dia senhora, sabe me dizer o que houve aqui?
Ela continua lendo a revista sem parecer se importar com o que eu falo o cachorrinho dela, um daqueles poodles irritantes, estava dormindo ao lado da mesa.
- Senhora, por favor...
- Está apreciando a praia meu rapaz?
- Bom estou, quer dizer estava até a pouco, antes de todo mundo sumir, sabe o que houve?
- Claro que sei o que houve os mais velhos sempre sabem de tudo não é verdade?
- Eu imagino que sim, então onde foi todo mundo?
-Todos estão em seus respectivos mundos, realidades, épocas, universos, cada um seguiu o caminho que achou por bem trilhar, embora alguns deles não pensaram nas conseqüências do caminho que seguiram.
- Do que a senhora está falando afinal? 
- Há pouco aqui estava cheio de pessoas e agora não resta mais ninguém, e você vem me falar de realidades e universos? 
- O que tem nesse chá que a senhora está bebendo?
Eu me viro pra piscina e as palavras mal saem da minha boca...
- Mas... que porra...
A piscina era uma poça de um líquido negro e escuro, o hotel estava em chamas, aliás, tudo por ali estava em chamas, havia muitos corpos espalhados por todo o lugar, se escutava gritos de todos os lugares...
O ar do lugar estava tomado por um violento gosto de metal que ardia a garganta, eu me viro para a senhora que continua lá sentada e pensativa:
- Mas o que aconteceu aqui, pelo amor de Deus o que aconteceu aqui?
- Tem certeza de que não sabe, meu caro Peter?
- Com mil diabos é claro que eu não sei o que houve com esse lugar, santa mãe de Deus...
Meus olhos se voltam para a praia, uma criatura gigantesca caminha pela praia coletando os corpos e jogando em um grande container que está amarrado ao corpo dele por grandes correntes, vez por outra ele come alguns dos coletados, pernas, braços jogando fora apenas à cabeça.
- Isso é um pesadelo, só pode ser um pesadelo...
- Talvez sim, meu caro Peter, um pesadelo, mas um pesadelo nada mais é do que um universo dentro de outro universo...
- Isso não faz nenhum sentido, o que está acontecendo aqui, por favor, me explique...
A criatura parou e me olhou por alguns instantes, o que fez o meu sangue gelar, era como um desses ogros de filmes de fantasia, muito alto e forte, se via centenas de dentes e apenas um olho, expressa sorriso hediondo com restos de carne humana entre os dentes e segue o seu caminho dando um grande bocejo.
- Esse é o mundo que pessoas como você prepararam com todos os seus esforços Peter, isso é o que eu chamo de “PARAÍSO PARTICULAR DO PETER”.
A velha deu uma grande gargalhada, então eu me viro para ver a velha novamente, mas ela simplesmente some, estava muito quente e os gritos se tornam mais intensos e sofridos.
O “ogro” que andava bem lentamente jogava uma das vítimas para cima e deixava ele cair e dava uma gargalhada horrenda com os gritos de dor do pobre homem que já tinha perdido as pernas, provavelmente devoradas pelo ogro.
Corri para o que restava do meu quarto no hotel, passando entre vários corpos e alguns deles pareciam ter passado por uma explosão atômica, dado a gravidade das queimaduras nos seus corpos; os que ainda tinham força tentavam me agarrar gemendo por socorro, me soltei deles e sai correndo sem saber o que pensar.
O Hotel era um forno, tudo estava em chamas, mas eu precisava chegar ao meu quarto, tudo o que eu tinha estava lá.
 Um cozinheiro apareceu correndo e gritando em chamas com alguma coisa mordendo o pescoço dele, subi pela escada de incêndio o mais rápido que pude, era óbvio que subir em um prédio em chamas era burrice, mas no momento o que eu poderia fazer?
Abri a porta do corredor onde ficava o meu quarto, estava aparentemente inteiro.
Corri para o quarto, o cartão não abria a porta, peguei o machado que ficava ao lado do extintor no corredor e quebrei a fechadura, ao abrir a porta encontro a velha sentada alisando seu cachorro em uma cadeira do quarto olhando pela janela.
- Mas que droga está havendo aqui, sua velha desgraçada, que diabos aconteceu com esse lugar?
- Acho que já respondi essa pergunta não? 
- Esse é o seu “paraíso particular”, ou pelo menos foi algo pelo qual você lutou tanto para conseguir em vida...
- Em vida, quer dizer que eu morri e isso aqui é o inferno? 
- Continua delirando velha, eu jamais lutaria pra estar em um pesadelo como esse...
- Eu não conheço nenhum inferno que não sejam os particulares, meu caro Peter, além disso, eu não disse que você morreu.
- Se não vai me ajudar, então suma da minha frente. 
- O que eu faço agora, maldição...
- Não há muito que se fazer agora além de se tentar sobreviver Peter, mas quem sabe remediar e acredito que você vai ser bem útil em breve, se assim desejar, mas essa é uma conversa para mais tarde...
A velha some novamente, então vejo a fumaça tomando o corredor; 
- Merda tenho que sair daqui.
Junto as minhas coisas, que não são muitas, em uma mala e saio em direção à escada de incêndio, ao me aproximar da escada algo chama a minha atenção para o final do corredor. Parece uma pessoa, mas tem algo errado, ela está de costas então eu digo algo...
 - Olá...
A criatura se vira e o medo toma conta de mim mais uma vez, uma mulher deformada por queimaduras, a pele dela está cheia de feridas e o pior não existe nada onde deveriam estar os olhos...
- É VOCÊ, AMOR? EU ESPERO POR VOCÊ POR TANTO TEMPO...
Então ela corre em minha direção com os braços abertos, eu caiu pra trás com o susto, a criatura quase me alcança, mas aos tropeções consigo chegar a escada o mais rápido que posso...
- AMOR, VENHA PARA OS BRAÇOS DE SUA AMADA...
O gelo toma conta de cada gota de sangue do meu corpo, chego ao hall e a criatura continua sua corrida para me pegar, o cozinheiro, agora morto pelas chamas, tem suas tripas devoradas pela criatura que estava antes no pescoço dele. 
Sigo para o lado de fora e bato de frente com um daquelas ogros gigantes, ele me joga longe com um golpe, acho que devo ter quebrado algumas costelas com o impacto. 
A mulher sai pela porta jurando amor eterno, mas assim que ela se da conta do ogro ela tenta correr de volta pra dentro do prédio, em vão...
Só tenho tempo de ouvir os gritos de “amor eterno” por mim antes dela ser devorada pelo ogro que desaparece com aquela coisa com apenas duas dentadas.
Começo a perder a consciência devido ao golpe que levei do ogro, tem algo se aproximando de mim, será outro ogro? Alguma criatura querendo me devorar, Deus eu preciso levantar, não quero morrer, não nesse inferno, não posso morrer ainda...
Acordo desnorteado em uma cama com alguns homens e uma mulher tentando me acalmar.
- Calma, Peter, foi só um pesadelo, calma...
- Eu... Onde eu estou...
- Está em segurança Peter, agora tome isso e descanse, você ainda está muito ferido e desnutrido.
- Onde está a velha, onde está a velha?
- Calma Peter, calma, descanse agora.
Um dos homens aplica uma injeção no meu braço, então adormeço novamente esperando não sonhar de novo...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Entre estradas e monstros...


Estávamos correndo por uma grande avenida, Stick ia me indicando o caminho por meio de um tipo de GPS que tinha no carro, as ruas estavam abarrotadas de restos de carros destruídos e buracos.
- Pega a esquerda antes do túnel Andressaaa, não e uma idéia boa passar por lugares escuros por aqui...
Ao dobrar a esquerda uns 500 metros eu tive que parar o carro...
Um exercito de crianças monstro estavam paradas, aguardando, sorrindo, todas perfeitas e lindas com aquelas fantasias dos mais variados tipos...
- Deus do céu e agora Stick...
Uma voz ensurdecedora de cima de um dos prédios anuncia que as crianças são o menor dos nossos problemas...
Uma aranha com um meio corpo de criança unida a um corpo de aranha e agora com apenas sete das oito pernas de aço e sangrando muito bradava do prédio.
- EU VOU ME DELICIAR EM OUVIR SEUS GRITOS DE DOR ENQUANTO DEVORO SEUS OLHOS HUMANOS MALDITOS...
- Merda que se dane, Stick coloca o cinto vamos passar por cima dessas coisas...
E acelerei, as crianças se tornaram o que de fato eram monstros e começaram a avançar pra cima do carro, a aranha saltou do prédio e começou a avançar em nossa direção, eu não tinha escolha ou caminho pra desviar então passei por cima dos monstros, rapidamente o carro estava coberto de um liquido negro e pútrido, o sangue das aberrações, muitos gritos de dor, mas ainda assim elas não paravam de pular pra cima do carro e bater pra tentar entrar, o teto já estava infestado desses pequenos monstros, um deles coloca o rosto deformado no vidro e sorri babando e mostrando as fileiras de dentes antes de cair e se partir em dois.
 Felizmente o jipe deveria ter sido feito pra agüentar esse tipo de coisa, mas até quando?
- Stick pra onde a gente tem que ir, se a gente continuar aqui esse carro não vai durar muito...
- Direita na próxima e sobe o viaduto, rápido eu vou ligar o choque ...
- Ligar o que?
Stick aperta um botão no painel do carro e derrepente mais gritos de dor, os monstros que estavam no teto gemem de dor e caem como moscas do carro e se espatifam no chão virando poças de um liquido negro.
- O que você fez?
- Nada demais, esse carro era do exercitu, servia pra parar mani, mani, bagunça nas ruas...
- Manifestações e isso?
- Issu (E abriu um sorriso enorme).
A aranha continuava correndo atrás da gente, muito embora eu estivesse, apesar dos monstros, correndo a uma velocidade de 80 km, ele pulava entre os prédios e corria com uma velocidade assustadora, e já estava perigosamente perto da gente.
- Stick se você tiver mais algum truque nesse carro e bom se preparar pra usar.
- Não tem mais nada não.
- Merda e agora.
O caminho era um vai e vem infernal, a cada esquina havia um grupo daquelas coisas em formato infantil saltando sobre o carro, e a maldita aranha continuava em nosso encalço sem descanso.
- Esquerda, esquerda...
A Aranha lança um pedaço de carro que felizmente não bate na gente, mas derruba um antigo prédio.
- Merda, merda, merda...
- Você xinga muito Andressaa, que feio...
Olho com cara de quem diz, "TA DE SACANAGEM COMIGO?"
Chegamos a uma enorme ponte, um dos lados dela já tinha ruído há muito tempo pelo que parecia e o outro lado só estava inteiro ainda por conta de alguns cabos que a seguravam, a aranha já dava pancadas na parte de trás do carro, era complicado guiar, se desviar dos restos de carros e não cair, a ponte balançava muito e ao que parecia ia ruir em breve...
- Stick o que vamos fazer, não vai dar pra fugir com essa coisa atrás da gente.
- Me deixa dirigir e você vai à parte de trás e atira nela.
- Você só tem sete anos Stick, eu não vou deixar você dirigir.
- Então eu vou lá atirar nela que tal?
- Alguma vez na vida você já dirigiu pirralho?
- CLARUUU (E mais uma vez ele deu aquele sorriso idiota, mas lindo dele), nos vídeu game e o carro se ajusta pra minha altura, e facinho...
- Ai Deus...
Entrego o carro pro Stick que como ele falou se ajustou rapidamente a altura dele e pego a arma de raios, mais uma pancada...
- NÃO VÃO ESCAPAR, EU POSSO CORRER POR DIAS SE FOR PRECISO PRA DESTROÇAR VOCÊS...
Eu abro a pequena portinhola da parte de trás do jipe, não tem uma visibilidade muito boa, mas da pra ver a coisa correndo atrás da gente, ajusto a arma para 100% e faço a mira, acho que só tenho um tiro.
Então uma explosão, uma seqüência de explosões na verdade, mas que diabos?
- Stick o que foi isso?
- A ponte, alguém explodiu a ponte...
A gente continua em linha reta (O máximo que da) a aranha perde o equilíbrio e cai batendo violentamente em alguns carros na ponte, os cabos de aço que sustentam a ponte começam a cair um por um e a ponte a ruir.
- ACELERA AO MAXIMO SENÃO A GENTE MORRE...
Uma chuva de pedaços de carros começa a cair ao longo da pista, a aranha some novamente em meio a brados e explosões, a gente passa pela ponte, mais explosões.
Stick para bruscamente.
- Continua Stick, a gente não sabe se aquela aranha morreu...
Olho pra frente e vejo que paramos em frente a uma barricada e muitos soldados com mascaras e armas do tipo que eu tenho todas apontadas para a gente, uma voz de um megafone.
- SAIAM COM AS MÃOS PARA CIMA, NÃO VAMOS HESITAR EM ATIRAR.
A ponte começa a ruir finalmente, bem como a minha esperança de continuar viva...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fuga...


Estava em uma linda casa de campo tomando sol e bebendo um martine, estava estranhamente feliz, algumas crianças brincavam na piscina, resolvi ir buscar algo pra comer na cozinha e lá encontro uma garotinha ruiva ajoelhada no canto da cozinha.
- O que houve mocinha linda, porque não está na piscina com as outras crianças?
- O que está fazendo ai?
Ela continuava de costas, tinha algo errado, eu sentia isso, mas perguntei novamente:
- Querida?
Então ela se vira, tem muito sangue saindo do lugar onde estavam os olhos dela...
- Meu Deus o que você fez?
- E a única forma de suportar o que você nos tornou, você e um monstro e eu não posso mais olhar pra você...
Acordo toda suada, Stick não está mais na cama, tem algo errado acontecendo:
- Stick querido onde você está?
Stick aparece no canto da sala, ele faz um sinal pedindo silêncio, sim eu estava certa tem algo errado acontecendo.
Aproximo-me e pergunto o que estava acontecendo e ele responde.
- Eles estão aqui, a genti tem ki sai rapidu daqui...
- Eles quem, sair daqui como?
- Rapidu pega as mochila e vamos sair pelo cano du esgoto e pega as armas...
Antes de ele terminar uma enorme aranha com cabeça de criança e patas de aço derruba a porta, felizmente ela e grande demais para atravessar, mas pequenas monstruosidades entram rastejando e uivando.
O odor e terrível, mas os dentes e vários olhos dessas aberrações são ainda mais assustadores, a aranha com cabeça de criança continua a gritar e bater desesperadamente na porta tentando entrar, eu estava mais uma vez terrivelmente assustada, mas dessa vez eu não poderia me dar ao luxo de desmaiar eu tinha que correr.
Stick já estava na entrada do esgoto e gritava pra eu correr, peguei as duas armas sobre o balcão, um tipo de arma elétrica e o que parecia ser uma metralhadora futurista, indiferente a isso eu nunca dei um tiro na vida, e nem sabia como usar aquelas coisas.
Corri pra junto do Stick e ele pegou a arma menor, a aranha estava quase derrubando a entrada inteira, então um clarão e uivos de dor, a aranha tinha sido atingida pelo tiro da arma elétrica.
- Vamus isso só para ele um pouco.
Stick dispara mais dois tiros nas lesmas que se desmancham em gritos de dor...
Uma voz gutural exclama:
- VOU COMER SUAS TRIPAS COM VOCÊ AINDA VIVO MALDITO...
A aranha derruba o restante da porta, mas já estávamos longe correndo pelo antigo esgoto, só escutamos os golpes da criatura contra a parede.
- Você conhece o caminho pra sair daqui Stick?
- Sim conheço, mas a genti tem que ir rapidinhu, aquele bicho não veio sozinho.
Por todo o esgoto se sentia o odor fétido dos monstros, o esgoto que antes parecia abandonado agora parecia totalmente tomado, ao longe muitos uivos de raiva e pancadas, mais gritos:
- ACHEM ELES SE QUISEREM CONTINUAR VIVOS MALDITOS, ACHEM ELES...
- A gente não vai conseguir sair daqui Stick, o esgoto está cheio desses monstros.
- Vai sim, minha vó era esperta e encheu o esgoto de armadilhas, e o caminho que a gente vai seguir e seguro.
Sinceramente eu não acreditava muito, mas que escolha eu tinha afinal?
Aqui estou eu em um maldito esgoto com a minha vida dependendo de um pirralho em um mundo de filme de terror, com uma arma que eu não sei usar a tiracolo, acho que não tem como piorar, e isso e um ponto positivo, eu acho...
- Agora e a parte complicada, a gente vai ter que descer pra subir por aquele buraco ali e ta cheio de bicho ai em baixu, mas pelo menus são os fraquinhos, e só você atirar neles...
- Como assim atirar neles, eu não sei usar essa coisa além do mais se a gente descer ai vamos morrer Stick...
- Pode ser que sim, mas se a genti ficar aqui vamos morrer também não é?
Ele sorriu como se tivesse falando algo totalmente normal, nesse momento tive vontade monstro de socar aquele rostinho pra tirar dele aquele sorriso...
- Sabe me dizer pelo menos como funciona essa coisa?
- Facinho, destrava ela aqui, aqui e o controle de intensidade, deixa ela em 20% purque assim não faz muito barulho nos tiros, mais os bichos vão gritar de qualquer jeitu, mas vamos precisar dessa arma lá na rua então não deixa ela aquecer muito...
- Como diabos você sabe dessas coisas guri?
- Treinei um bocado com a vó, já te disse que a gente tava planejando fugir daqui mesmo, lembra...
- Bom que seja então, vamos...
Derrepente algumas explosões e muitos gritos.
- HAHAHA ( sorriu Stick) se deram mal ...
- Que diabos foi isso Stick?
- As armadilhas que falei, eles acharam HAHAHA.
- Vamos descer de uma vez e sair desse inferno.
- Ta bom...
Ao descer haviam algumas lesmas e três daquelas crianças monstro que partiram pra cima da gente simplesmente alucinados e com seus imensos dentes e olhos sem cor.
- Puta merda...
 com apenas um tiro que me jogou pra trás eles viraram churrasco junto com qualquer outra coisa que houvesse no meu raio de visão.
- Diminui a potencia Andresaa, diminui...
Não havia tempo a perder ali, o barulho do tiro deve ter sido ouvido a quilômetros dali, bom se a gente queria escapar sem ser seguido acho que agora era tarde demais...
- Vem logo Andressa, a gente tem que explodir isso tudo...
- Tou indo, tou indo...
Mal subo na escada escuto um som metalico correndo, só tive tempo de subir e ouvir um golpe muito forte na parede, a aranha aparece gritando e uivando de raiva , felizmente mais uma vez ela e grande demais pra passar, ela coloca a cabeça hedionda de criança pelo buraco somente pra levar mais  um tiro do Stick.
- ARGHHHHHHHHHHHHHH, DESGRAÇADOOOOOOOOOOOOOO...
- Sai Stick eu vou matar ele...
- Não tem tempo, corre ali na frente a gente explodi tudo e ele morre...
Três monstros com vários braços correm em nossa direção, mas que inferno de lugar e esse afinal, diminuo a potencia da arma e disparo, o tiro dessa vez não me derrubou, mas só acerto o do meio.
A cabeça dele explodiu instantaneamente, ferrou eu disse, mas nada aconteceu, os outros dois monstros ficaram parados sem nenhuma ação, não importava no momento, continuamos correndo pra um galpão onde havia um tipo de jipe muito grande.
Entramos no carro e havia um controle, Stick apertou um botão é o que se seguiu foi uma sucessão de explosões de deixar filmes de ação no chinelo.
- Como essa coisa anda Stick, não tem nenhuma chave aqui?
Stick gritou:
- CARRO LIGAR...
O carro ligou e eu pisei no acelerador o mais fundo que pude, tudo ali estava indo pelos ares, arrebentei o portão da antiga estação de esgoto e não antes de sair vejo mais um monstro, mas esse e diferente dos demais, tem uns três metros, muito forte e carrega uma gigantesca arma nas costas, só o vejo a tempo de ver ele sorrindo pra gente, mas o que importa agora e sair da cidade...

Sorrir ou não sorrir?


Como se expressa em palavras o que se sente?
Andei pensando muito sobre isso ultimamente, tipo como eu posso escrever e passar o que sinto por umas poucas e simples palavras, sem ser pedante demais (Já que os poucos contatos que ainda tenho assim me julgam) e sem querer tentar passar que eu estou bem é a vida e linda?
Não, a vida não vai bem, sinceramente, eu diria que a vida vai tão bem quanto um tratamento de canal em um dente inflamado, então a grande pergunta, quem se importa se a minha vida vai tão mal?
A resposta e sempre simples, direta e cruel, NINGUÉM LIGA.
Já tentou conversar com uma pessoa sobre algum problema seu e tudo o que se consegue e ouvir de quem se prestou a te “ouvir” comentar sobre o quanto a vida dela e pior do que a sua?
Não estou reclamando, estou apenas constatando uma verdade, ninguém quer ouvir os nossos problemas, ninguém tem tempo, saco, paciência ou um pouco de interesse em ajudar.
Não digo que um simples conselho não seria legal, nem é o caso, bastava ouvir, bastava se interessar um pouco sei lá...
A vida anda estranha, cheguei a um ponto de que se por um lado estou progredindo por outro eu estou se não regredindo eu diria que ando totalmente alheio, sem amigos, sem ficantes, sem colegas de verdade, sem ter com quem beber uma simples cerveja e comentar sobre o tempo.
Tudo o que tenho e um punhado de conhecidos de onde eu trabalho com os quais eu não tenho nada além do mais restritivo contato que um ser humano pode ter com outro ser humano, contato profissional.
Por outro lado temos a internet, o maravilhoso mundo da internet, tantos amigos, tantos sorrisos, tanta gente perfeita e de bem com a vida...
E interessante o quanto isso me soa falso e vazio, já tentei estabelecer conversas mais profundas e sinceramente já desisti...
Ontem durante uma reunião de família planejada por minha mãe sem o meu conhecimento prévio, fiquei sentado observando, pessoas rindo, bebendo, se socializando umas com as outras e do nada me veio o pensamento, talvez não do nada afinal, QUE PORRA HÁ DE ERRADO COMIGO AFINAL?
 Por que eu não consigo apenas viver e parar de observar, por que eu não consigo ser como todo mundo que não vive em um mundo a parte dos demais, alguém simplesmente automático, alguém que sorri na hora certa, que fica triste na hora certa e, no entanto não consegue dizer um simples bom dia se não for algo estritamente necessário?
Eu não sei dizer se isso e carência, pois sempre achei que essa coisa de gente carente e frescura de gente fraca, mas o que mais explicaria esse abismo que existe entre a minha pessoa e qualquer outra forma de vida “pensante”?
Ando bem deprimido por conta do meu atual quadro de isolamento social, e claro que eu me esforço para permanecer nele, seja recusando convites para os famosos “programas de índio” até convites que podem ser legais, mas eu ainda assim não vou a eles por algum motivo, imagino que meu estado patológico de fobia social esteja se agravando.
Ontem me perguntaram o motivo de eu ainda não estar namorando, acho eu faz pelo menos uns bons seis meses ou mais que não apareço com ninguém em casa, mas como posso explicar para pessoas normais o quanto uma relação me parece desinteressante em todos os sentidos, e claro tem sempre o sexo, mas sinceramente ando preferindo ficar trancado no meu quarto a ter algum contato com quem quer que seja, possivelmente eu sou de fato doente, mas a verdade e que me acostumei a ser infeliz, essa e talvez a verdade que eu não queria admitir.
O que mais pode explicar meu estado de letargia social?
Minha mãe esteve na Bélgica por alguns meses, e eu aproveitei todo esse tempo para de fato ficar realmente só, eu não sei se estou me fazendo entender, talvez eu não me importe se alguém vai entender. 
Desde que descobri que escrever e uma forma de colocar para fora de uma forma mais efetiva as minhas frustrações e um pouco do meu mundo, a quem se interessa em perder alguns minutos lendo, eu tenho me encantado com essa possibilidade de continuar vivendo no meu mundinho, e quem sabe poder estar ajudando alguma alma perdida e sombria nesse mundo infeliz, mas sempre com um rostinho de felicidade em cada esquina miserável dessa terra sem compaixão para com os que não sabem como dar um sorriso, se não for com sinceridade.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Vivian...



Já fazia pelo menos umas três horas que eu andava na estrada para o rancho Vivian, meu estomago já roncava alto e eu ainda tinha que lidar com as tonturas por conta da fome, eu não tinha muita escolha, tinha que comer meu ultimo pedaço de carne seca que eu tinha na mochila com o que restava de água, eu estava guardando para emergências, mas acredito que aquilo era uma emergência.
O fato e que se eu não conseguisse algo pra comer ainda hoje, bom, não queria pensar na opção, me sentei em baixo de um tronco seco que ainda fazia alguma sombra...
Olhei pra cima pra ver se não havia alguns abutres (como nos filmes de outrora) esperando o meu fim, mas não havia nada, na verdade há semanas que eu não via nada vivo naquela terra, nem mesmo aquelas criaturas horrendas e fétidas.
Comi minha ultima porção de comida e voltei a caminhar novamente, sem muitas esperanças no final das contas, o tal rancho deveria ser apenas um monturo de lixo como tantos outros nessa terra amaldiçoada, nossa como eu queria gritar com algo ou alguém, como eu queria me livrar dessa raiva que sinto nesse momento, eu já estava nessa terra infeliz há tanto tempo e até aquele momento eu não havia parado pra pensar em como infernos eu cheguei ali.
O fato e que eu não me lembrava muito bem, havia apenas aqueles sonhos de outra vida, mas eu nunca descartei a possibilidade de já ter morrido é esse lugar ser o próprio inferno que me ensinavam na escola bíblica, mas não importava também, tudo o que importava era sobreviver, bom eu me pergunto para o que afinal, mas o instinto sempre e mais forte e no final das contas quem é que quer morrer?
Ao longe avistei o que era uma construção, talvez o rancho, quem sabe com sorte não tenha alguma comida por lá, afinal essa estrada fica bem fora de qualquer rota e pode não ter sido saqueada, mas ao caminhar em direção a casa eu sabia que na verdade só não queria admitir o óbvio, era o meu fim...

Ao chegar ao rancho vi que ao contrario do que eu imaginava a casa estava em um ótimo estado o que melhorou bastante meu animo, era uma casa enorme e com cara de ser bem antiga, mas o que me chamou mais atenção não foi a casa em si, mas sim uma bomba de água, daqueles modelos antigos, corri em direção dela e comecei a bombear.
- Por favor, tenha água, por favor, tenha água, por fa...
Então água, eu não ficava tão feliz assim, bom sei lá há quanto tempo, o que importava e que havia água e eu bebi o máximo que pude até engasgar, saciado peguei um balde que tinha perto e enchi ele, tirei os trapos que me cobriam e coloquei a mochila junto da parede.
Após algumas semanas sem um banho aquilo era simplesmente divino, deixei a água cair sobre a minha cabeça e um após o outro eu me sentia limpo, sentia renovado, quem sabe a desgraçada da sorte não tenha voltado a sorrir para mim novamente, quem sabe eu..., mãe do céu como eu estou magro...
De fato tudo o que restava era um saco de pele e ossos que ainda andava, minha pele estava cheia de queimaduras por conta do sol, meus pés, bom, um dia foram pés, no momento eram apenas bolhas.
Fiquei deitado um pouco na pedra ao lado da bomba, lavei meus trapos e vesti a ultima peça de roupa inteira que eu tinha, uma calça jeans surrada e uma camiseta regata, não tinha muito o que fazer com relação aos meus pés então enfiei eles dentro da velha bota de couro e fui vasculhar a casa.
A porta estava aberta, tirei uma velha faca de caça que peguei de um soldado morto há algumas semanas e abri a porta, gritei um “TEM ALGUÉM AI” óbvio sem resposta e para a minha surpresa a casa estava perfeitamente arrumada, não importava e claro, eu só conseguia pensar onde ficava a cozinha e logo a encontrei, abri os armários, estavam cheios de caixas com todo tipo de comida e bebidas, fui tomado pela emoção, porra eles tinham até cereal e leite...
Enchi um prato com o cereal e o leite, peguei açúcar que tinha sobre a mesa e coloquei no cereal, nossa aquilo era perfeito demais, por um minuto eu pensei que talvez estivesse sonhando, mas não estava eu sentia o sabor doce do açúcar na minha boca, por um minuto eu simplesmente esqueci de onde estava, a fome era maior do que a precaução.
Abri um saco de bisnagas e comi como se fosse a minha ultima refeição e então escuto um click.
Tem alguém no porão, devem ser os donos da casa e até onde eu sei ninguém deixa toda essa comida sem proteção, encho uma caixa com tudo que consigo carregar e saiu correndo pra fora da casa, à tontura volta, apesar de ter comido algo a minha dieta nas ultimas semanas não tem sido das melhores, isso quando houve alguma.
Junto meu trapos e pego a minha mochila e saiu correndo, as pernas tremem, a cabeça gira, mas eu tenho que correr, eu não quero morrer...
- Ei pare, volte aqui, espere...
Escuto uma voz feminina, passos de três homens correndo pra me pegar, mas não olho pra trás, mais uma vez a sorte me abandona, a sorte e como uma mulher ingrata que uma hora te coloca no céu e no outro minuto te toma tudo.
A tontura aumenta, eu não vou conseguir fugir, só escuto os passos se aproximando, e o meu fim, cacete eu vou morrer...
- PARADO – Grita um dos homens a uns 2 metros de mim.
Outro me derruba, a comida toda cai no chão, mas não importa tudo o que importa e ficar vivo, tudo que importa e continuar respirando...
- Eu não vou... comida... minha...
Nem consigo falar, minha cabeça gira, fica tudo branco, eu não quero morrer, eu não quero morrer.
Abro o olho e vejo que estou cercado e preso no chão, tento inutilmente me soltar, não tenho mais forças, e o meu fim, vou morrer como a porra de um ladrão, e o meu fim, eu começo a chorar...
- O que diabos você estava tentando fazer homem se acalme, não vamos machucar você.
Só me recordo de tentar dizer:
- Eu não... qu...morrer...
E então tudo se apagou.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

2:15 - Parte 3...


Abri meus olhos na esperança de acordar em minha cama, acordar de um pesadelo, e claro que isso não durou nem um segundo já que era uma criança que estava me acordando, dei um pulo pra trás de susto, ele fez um sinal de calma e puxava o meu braço, eu ainda estava grogue por conta do desmaio, minha cabeça estava doendo e a pancada que levei ao desmaiar não ajudou muito.
Havia certo desespero nos olhos da criança, olhei para onde vi a pobre mulher ser devorada e não restava nada, acho que as crianças monstro se cansaram de brincar e deram um fim ao que restava dela, a criança continuava puxando o meu braço, eu ainda estava no chão do café o cheiro podre havia passado, não que o cheiro do ar fosse muito melhor, tentei levantar, mas estava com as pernas bambas, minhas roupas estavam agora sujas de vômito, era tudo o que eu precisava agora, pensei ao tentar “limpar” aquela sujeira.
A criança continuava puxando meu braço, então tentei levantar para seguir ela, mesmo porque apesar de grogue eu sabia que não estava no lugar mais seguro do mundo, e os olhos aflitos daquele menino também me diziam isso.
A gente saiu pelos fundos do café, em um tipo de beco, o menino seguia na frente, perguntei qual era o nome dele, ele fez um sinal de silêncio e continuamos andando, ele abriu um buraco de bueiro no final do beco e desceu, era só o que me faltava mesmo entrar em um esgoto, mas ao lembrar o meu estado e do que andava na cidade que escolha eu tinha, e desci no bueiro...
Esperava achar ratos, baratas, mas comparado as ruas os esgotos pareciam até mesmo ter um ar melhor, não havia uma gota de qualquer tipo de liquido, apenas pedras, não era muito iluminado, mas ao pensar nisso o menino acende uma lanterna grande e faz sinal pra seguir ele.
 Continuamos andando por o que em pareceu ser uma eternidade, virando , descendo, subindo por entre as galerias, eu nem sequer pensei muito a respeito, minha cabeça doía demais, e a idéia de estar andando toda suja e com a roupa suja de vômito me incomodava bem mais do que qualquer outra coisa naquele momento.
Então chegamos a uma grande porta e o menino falou no meu idioma:
- Chegamuu em casa...
- Desde quando você fala o meu idioma? Perguntei.
- Dioma? Du que a moça ta falandu?
- Deixa pra lá menino, você tem um nome? Perguntei isso ajudando o menino a abrir a porta.
- Jonas, mas podi chama de Stickman, e meu apelidu, so magrinho sabe...
Abrimos a grande porta e dentro havia o que deveria ter sido uma estação elétrica, com maquinas antigas e que acredito que não funcionassem há séculos pelo aspecto, mas estava tudo muito arrumado e limpinho, o que me lembrou do meu estado...
- Tem algum lugar onde eu possa tomar um banho Jonas?
- E Stickman, não gostu do meu nome, tem sim moça naquela porta ali.
Falou me apontando com o dedo.
- Vou pega uma coisa pa moça cuidar da cabeça, ta saindo sangue e isso pode infecionar..
- Infeccionar você quer dizer não e mesmo?
Falei isso sorrindo pra ele.
- Foi o que eu disse infecionar...
- Está bem então, me deixa tomar um banho Stick.
Era um banheiro muito simples, mas quem se importava, tinha água, fato que me deixou muito feliz e até um shampo havia, passei uns dez minutos em baixo da água até que o Jonas bateu na porta e falou.
- Ta aqui na porta moça, e tem uma toalha...
- Obrigado Jonas – Gritei.
- E STICKMAN...
Resmungou ele do outro lado, fato que me fez sorrir.
Depois de passar uns 30 minutos tomando banho fui olhar o corte na minha cabeça, não era algo muito profundo, mas estava doendo, fiz um curativo da melhor maneira que deu e sai.
O pequeno Stick estava sentando em uma cadeira no canto perto de uma cama, ele tinha arrumado umas três calças jeans e algumas blusas em cima da cama para mim, ele estava chorando e não percebeu quando eu cheguei perto.
Abracei-o e falei:
- Calma mocinho, você passou por muita coisa ruim hoje, pode chorar...
Para a minha surpresa ele da um pulo e fala alto:
- Não estou chorando não, eu sou homi, e homi não chora, minha vó que me ensinou, estou com raiva, com muita raiva, aqueles bichu vão pagar...
O pobrezinho mal conseguia falar, acho que ele não tinha nem sete anos direito, eu abracei ele de novo e então ele começou a chorar e soluçar muito...
- Minha vó, eu quero... Quero ela de volta, ela nun fez nada, ela... Era tão boazinha comigo, com todo mundo, quero ela de volta...
Fiquei abraçada e passando a mão na cabeça dele até ele parar de chorar, e então disse:
- Agora e hora de você ir tomar um banho mocinho e vestir uma roupa limpa ta certo?
- Tem algo pra se comer aqui, se tiver eu faço algo pra nós dois comermos.
- Tem ali O, e apontou o lugar onde deveria ser a cozinha.
- Ok agora banho pra você Stick, eu vou fazer algo pra nós dois.
- Ta certuu moça, e sorriu.
- Meu nome e Andressa, prazer Stick – e estiquei a mão pra ele apertar.
- Andr... Andressssaaaa, Andresssaaa, prazer – E mais uma vez sorriu e entrou no banheiro.
Quando ele terminou e vestiu uma roupinha com cara de bem velhinha, mas pude finalmente ver como era um garotinho lindo, tinha sardas no rosto, de fato era bem magrinho, mas acredito que isso se deve mais a dieta magra daquele lugar do que a outra coisa, o fato que me chamou a atenção era que os olhos dele tinham duas cores, um era azul e o outro castanho...
- Bom fiz o melhor que pude Stick, purê de batatas enlatadas e algumas almôndegas enlatada, nada muito saudável, mas fiz o melhor que pude...
- Ta otimuu Andresssaaa...
Falou isso com um grande sorriso, o que me deixou feliz por algum motivo.
Embora eu tivesse fome mal tive coragem de comer aquelas coisas, estava mais preocupada em saber onde diabos eu estava e comecei a perguntar.
- Stick querido, você sabe me dizer onde nós estamos?
- Sei sim Andress (Ele respondeu com a boca cheia de purê) em casa...
- Sim querido eu sei, mas digo que cidade e essa, como a gente veio parar aqui, o que são aqueles monstros?
Ele parou por um instante e perguntou:
- Vai comer esse mondega? Se não for me da purr favo?
- Claro querido, coma tudinho.
Dei a comida e continuei perguntando e ele responde finalmente:
- Não sei não Andresssa, minha avó e que sabia dessas cosa, mais você pode ver no quarto tem uns recortes na parede e umas fotas, fica ali O...
Fui ao quarto da avó do Stick, minha cabeça voltou a doer, o quarto dela era bem simples mas até bonito na verdade, tinha uma mesinha e nas paredes muitos recortes de jornais antigos, todos falavam sobre uma invasão e uma guerra, imagens de monstros, uma resistência...
Mas um recorte de jornal me chamou a atenção, nele um Homem muito bonito com uma roupa do tipo que generais usam falava algo, na reportagem em negrito estava escrito:

General Victor busca acordo de paz com invasores – 09/15
O grande potentado discursou hoje em Palanx buscando um acordo de paz com os invasores:
“Temos que buscar um entendimento com as forças invasoras, essa guerra já consumiu quase todo nosso planeta e eu acredito que podemos chegar a um consenso para acabar com a essa insanidade e como ato de boa vontade para com os invasores vamos desligar os escudos de Naax para provar que estamos dispostos a negociar.”
O restante estava ilegível, havia muitas fotos do Victor sobre a mesa da Avó do Stick, e então ele entrou no quarto.
- Acho alguma coisa Andressssa?
- Sabe quem e esse homem Stick?
- Sei sim, minha vó disse que tudo ta ruim assim por causa desse homi ai, ele que trouxe esses bixu pra matar todo mundo, eu não gosto dele...
Era estranho como aquele homem me era familiar algo me chamava à atenção naquele rosto, talvez os olhos, mas havia questões mais urgentes a tratar no momento e eu continuava sem saber de quase nada.
- Stick querido, existem mais pessoas vivendo aqui em baixo com vocês, amigos, parentes, conhecidos?
- Naum tem mais naum, foi todo mundo embora com medo dus bixo vir aqui, só ficou eu é a Vó, agora só tem eu e você, você vai ficar né?
O menino fez essa pergunta com os olhos cheios de esperança, como eu podia responder essa pergunta, eu não podia deixar ele sozinho ali, mas não podia ficar também, tinha a minha vida a retomar e principalmente sair daquele pesadelo.
Vou ficar com você sim Stick(respondi) não vou te deixar só não, mas preciso de respostas...
- Bom a Vó sempre falava desse luga aqui O...
Stick pegou um tipo de diário e abriu, dentro havia um cartão de identificação com a foto da Avó do Stick que dizia:
“NÍVEL DE ACESSO 10 – NAAX”
“ELEONOR THOMPSON – ENGENHEIRA QUIMICA ALPHA++”
E no e mail:
O código de acesso continua o mesmo, OMEGA 7884, você tem que entrar em Naax pelas entradas secundárias já que e impossível desligar o sistema de segurança das entradas principais desde a primeira onda de ataque, Victor não tomou a cidade, o que prova que o nosso escudo e de fato efetivo, o problema e que a cidade continua sitiada justamente por conta disso, o local de encontro e no antigo Rancho Vivian, tenho certeza de que você ainda se lembra.
Bom meu amor espero ver você em breve, tome muito cuidado e não confie em ninguém, não sabemos o que Victor tem feito no berçário e que tipo de aberrações ele pode ter criado.
PS: Encontrou o menino de que você falava? Te amo...
Naax bom não era muita coisa, mas pelo menos já era alguma coisa então perguntei.
Stick você sabe se por aqui tem algum mapa?
- Sim ali O – Ele apontou para um mapa no canto da parede que estava marcado e para a minha felicidade o tal Rancho estava lá com um alfinete e a tal cidade, quem daria um nome idiota desses pra uma cidade, mas enfim...
Não me pareciam distantes e bom eu não pretendia ficar morando em um esgoto com monstros na minha cabeça então disse:
- Stick eu não vou abandonar você querido, mas você vai ter que me ajudar em uma coisa.
- Você quer ir pra lá né? Essa cidade que a vó queria me levar?
- Bom não podemos ficar aqui você não acha?
- Eu sei, eu e a vó estávamus indo pra lá por isso tivemos que subir na rua pra pegar o que ainda tinha nos mercadu...
- Você sabe como sair dessa cidade?
- Sim, a vó me fez estudar isso (apontando pro mapa) por dias, purque se algum bixu pegasse ela eu ia ter que ir sozinho, mas agora vou com você – E ele mostrou mais uma vez seu lindo sorriso.
-Bom meu querido então vamos pegar o que a gente puder levar e vamos assim que a gente dormir um pouco tudo bem pra você?
- CERTUUUUUU...
Coloquei o pequeno Stick pra dormir cantando algumas músicas de ninar antigas que sabia e ele adormeceu rápido, peguei o diário de Eleonor e dei uma rápida olhada...
08/10
“O berçário vai ser a fonte de uma grande revolução no que diz respeito à medicina, ainda não temos nem sequer idéia do potencial dessa maravilha que criamos, mas o Potentado Victor tem uma visão extraordinária sobre até onde podemos chegar, e acredito que vamos conseguir executar os testes em humanos em breve, só imagino a felicidade dessas pessoas que perderam um braço ou perna em ter eles de volta...”

Havia muita coisa técnica no diário que eu não entendia absolutamente nada, nossa como eu estava cansada, precisava dormir então algo me chamou a atenção no diário.
02/14
“Estou ansiosa por esse dia, vamos iniciar o teste em humanos, o primeiro passo e recriar as pernas de uma garotinha chamada Emilly, ela nasceu sem as pernas e acredito que vamos conseguir, o processo se inicia pela manha e todos estão otimistas sobre os resultados.”
“Victor disse que não iria dormir naquela noite e iria ficar no laboratório para verificar alguns testes, espero que tudo de certo, preciso dormir amanha vai ser um dia glorioso que vai entrar para a historia”
02/15
Todos os procedimentos indicaram que tudo daria certo, as imagens mostram que Emilly reagiu bem ao processo e as pernas delas foram recriadas, mas algo saiu errado, a garotinha começou a sofrer de fortes dores e perdeu o controle, a sala do berçário foi tomada por um odor horrendo de metal, as pessoas que estavam do lado de dentro se tornaram seres deformados, o berçário foi evacuado, para a minha surpresa o prédio já estava cercado pelo exercito e Victor estava a frente garantindo que nada entraria ou sairia dali sem a permissão dele.
Bom fosse quem fosse esse Victor ele era uma peça chave dessa loucura, mas eu no momento só queria dormir e não pensar em nada...
Engraçado...
O relógio estava marcando 2:16...
E então adormeci...