sexta-feira, 30 de setembro de 2011

2:15 - Parte 3...


Abri meus olhos na esperança de acordar em minha cama, acordar de um pesadelo, e claro que isso não durou nem um segundo já que era uma criança que estava me acordando, dei um pulo pra trás de susto, ele fez um sinal de calma e puxava o meu braço, eu ainda estava grogue por conta do desmaio, minha cabeça estava doendo e a pancada que levei ao desmaiar não ajudou muito.
Havia certo desespero nos olhos da criança, olhei para onde vi a pobre mulher ser devorada e não restava nada, acho que as crianças monstro se cansaram de brincar e deram um fim ao que restava dela, a criança continuava puxando o meu braço, eu ainda estava no chão do café o cheiro podre havia passado, não que o cheiro do ar fosse muito melhor, tentei levantar, mas estava com as pernas bambas, minhas roupas estavam agora sujas de vômito, era tudo o que eu precisava agora, pensei ao tentar “limpar” aquela sujeira.
A criança continuava puxando meu braço, então tentei levantar para seguir ela, mesmo porque apesar de grogue eu sabia que não estava no lugar mais seguro do mundo, e os olhos aflitos daquele menino também me diziam isso.
A gente saiu pelos fundos do café, em um tipo de beco, o menino seguia na frente, perguntei qual era o nome dele, ele fez um sinal de silêncio e continuamos andando, ele abriu um buraco de bueiro no final do beco e desceu, era só o que me faltava mesmo entrar em um esgoto, mas ao lembrar o meu estado e do que andava na cidade que escolha eu tinha, e desci no bueiro...
Esperava achar ratos, baratas, mas comparado as ruas os esgotos pareciam até mesmo ter um ar melhor, não havia uma gota de qualquer tipo de liquido, apenas pedras, não era muito iluminado, mas ao pensar nisso o menino acende uma lanterna grande e faz sinal pra seguir ele.
 Continuamos andando por o que em pareceu ser uma eternidade, virando , descendo, subindo por entre as galerias, eu nem sequer pensei muito a respeito, minha cabeça doía demais, e a idéia de estar andando toda suja e com a roupa suja de vômito me incomodava bem mais do que qualquer outra coisa naquele momento.
Então chegamos a uma grande porta e o menino falou no meu idioma:
- Chegamuu em casa...
- Desde quando você fala o meu idioma? Perguntei.
- Dioma? Du que a moça ta falandu?
- Deixa pra lá menino, você tem um nome? Perguntei isso ajudando o menino a abrir a porta.
- Jonas, mas podi chama de Stickman, e meu apelidu, so magrinho sabe...
Abrimos a grande porta e dentro havia o que deveria ter sido uma estação elétrica, com maquinas antigas e que acredito que não funcionassem há séculos pelo aspecto, mas estava tudo muito arrumado e limpinho, o que me lembrou do meu estado...
- Tem algum lugar onde eu possa tomar um banho Jonas?
- E Stickman, não gostu do meu nome, tem sim moça naquela porta ali.
Falou me apontando com o dedo.
- Vou pega uma coisa pa moça cuidar da cabeça, ta saindo sangue e isso pode infecionar..
- Infeccionar você quer dizer não e mesmo?
Falei isso sorrindo pra ele.
- Foi o que eu disse infecionar...
- Está bem então, me deixa tomar um banho Stick.
Era um banheiro muito simples, mas quem se importava, tinha água, fato que me deixou muito feliz e até um shampo havia, passei uns dez minutos em baixo da água até que o Jonas bateu na porta e falou.
- Ta aqui na porta moça, e tem uma toalha...
- Obrigado Jonas – Gritei.
- E STICKMAN...
Resmungou ele do outro lado, fato que me fez sorrir.
Depois de passar uns 30 minutos tomando banho fui olhar o corte na minha cabeça, não era algo muito profundo, mas estava doendo, fiz um curativo da melhor maneira que deu e sai.
O pequeno Stick estava sentando em uma cadeira no canto perto de uma cama, ele tinha arrumado umas três calças jeans e algumas blusas em cima da cama para mim, ele estava chorando e não percebeu quando eu cheguei perto.
Abracei-o e falei:
- Calma mocinho, você passou por muita coisa ruim hoje, pode chorar...
Para a minha surpresa ele da um pulo e fala alto:
- Não estou chorando não, eu sou homi, e homi não chora, minha vó que me ensinou, estou com raiva, com muita raiva, aqueles bichu vão pagar...
O pobrezinho mal conseguia falar, acho que ele não tinha nem sete anos direito, eu abracei ele de novo e então ele começou a chorar e soluçar muito...
- Minha vó, eu quero... Quero ela de volta, ela nun fez nada, ela... Era tão boazinha comigo, com todo mundo, quero ela de volta...
Fiquei abraçada e passando a mão na cabeça dele até ele parar de chorar, e então disse:
- Agora e hora de você ir tomar um banho mocinho e vestir uma roupa limpa ta certo?
- Tem algo pra se comer aqui, se tiver eu faço algo pra nós dois comermos.
- Tem ali O, e apontou o lugar onde deveria ser a cozinha.
- Ok agora banho pra você Stick, eu vou fazer algo pra nós dois.
- Ta certuu moça, e sorriu.
- Meu nome e Andressa, prazer Stick – e estiquei a mão pra ele apertar.
- Andr... Andressssaaaa, Andresssaaa, prazer – E mais uma vez sorriu e entrou no banheiro.
Quando ele terminou e vestiu uma roupinha com cara de bem velhinha, mas pude finalmente ver como era um garotinho lindo, tinha sardas no rosto, de fato era bem magrinho, mas acredito que isso se deve mais a dieta magra daquele lugar do que a outra coisa, o fato que me chamou a atenção era que os olhos dele tinham duas cores, um era azul e o outro castanho...
- Bom fiz o melhor que pude Stick, purê de batatas enlatadas e algumas almôndegas enlatada, nada muito saudável, mas fiz o melhor que pude...
- Ta otimuu Andresssaaa...
Falou isso com um grande sorriso, o que me deixou feliz por algum motivo.
Embora eu tivesse fome mal tive coragem de comer aquelas coisas, estava mais preocupada em saber onde diabos eu estava e comecei a perguntar.
- Stick querido, você sabe me dizer onde nós estamos?
- Sei sim Andress (Ele respondeu com a boca cheia de purê) em casa...
- Sim querido eu sei, mas digo que cidade e essa, como a gente veio parar aqui, o que são aqueles monstros?
Ele parou por um instante e perguntou:
- Vai comer esse mondega? Se não for me da purr favo?
- Claro querido, coma tudinho.
Dei a comida e continuei perguntando e ele responde finalmente:
- Não sei não Andresssa, minha avó e que sabia dessas cosa, mais você pode ver no quarto tem uns recortes na parede e umas fotas, fica ali O...
Fui ao quarto da avó do Stick, minha cabeça voltou a doer, o quarto dela era bem simples mas até bonito na verdade, tinha uma mesinha e nas paredes muitos recortes de jornais antigos, todos falavam sobre uma invasão e uma guerra, imagens de monstros, uma resistência...
Mas um recorte de jornal me chamou a atenção, nele um Homem muito bonito com uma roupa do tipo que generais usam falava algo, na reportagem em negrito estava escrito:

General Victor busca acordo de paz com invasores – 09/15
O grande potentado discursou hoje em Palanx buscando um acordo de paz com os invasores:
“Temos que buscar um entendimento com as forças invasoras, essa guerra já consumiu quase todo nosso planeta e eu acredito que podemos chegar a um consenso para acabar com a essa insanidade e como ato de boa vontade para com os invasores vamos desligar os escudos de Naax para provar que estamos dispostos a negociar.”
O restante estava ilegível, havia muitas fotos do Victor sobre a mesa da Avó do Stick, e então ele entrou no quarto.
- Acho alguma coisa Andressssa?
- Sabe quem e esse homem Stick?
- Sei sim, minha vó disse que tudo ta ruim assim por causa desse homi ai, ele que trouxe esses bixu pra matar todo mundo, eu não gosto dele...
Era estranho como aquele homem me era familiar algo me chamava à atenção naquele rosto, talvez os olhos, mas havia questões mais urgentes a tratar no momento e eu continuava sem saber de quase nada.
- Stick querido, existem mais pessoas vivendo aqui em baixo com vocês, amigos, parentes, conhecidos?
- Naum tem mais naum, foi todo mundo embora com medo dus bixo vir aqui, só ficou eu é a Vó, agora só tem eu e você, você vai ficar né?
O menino fez essa pergunta com os olhos cheios de esperança, como eu podia responder essa pergunta, eu não podia deixar ele sozinho ali, mas não podia ficar também, tinha a minha vida a retomar e principalmente sair daquele pesadelo.
Vou ficar com você sim Stick(respondi) não vou te deixar só não, mas preciso de respostas...
- Bom a Vó sempre falava desse luga aqui O...
Stick pegou um tipo de diário e abriu, dentro havia um cartão de identificação com a foto da Avó do Stick que dizia:
“NÍVEL DE ACESSO 10 – NAAX”
“ELEONOR THOMPSON – ENGENHEIRA QUIMICA ALPHA++”
E no e mail:
O código de acesso continua o mesmo, OMEGA 7884, você tem que entrar em Naax pelas entradas secundárias já que e impossível desligar o sistema de segurança das entradas principais desde a primeira onda de ataque, Victor não tomou a cidade, o que prova que o nosso escudo e de fato efetivo, o problema e que a cidade continua sitiada justamente por conta disso, o local de encontro e no antigo Rancho Vivian, tenho certeza de que você ainda se lembra.
Bom meu amor espero ver você em breve, tome muito cuidado e não confie em ninguém, não sabemos o que Victor tem feito no berçário e que tipo de aberrações ele pode ter criado.
PS: Encontrou o menino de que você falava? Te amo...
Naax bom não era muita coisa, mas pelo menos já era alguma coisa então perguntei.
Stick você sabe se por aqui tem algum mapa?
- Sim ali O – Ele apontou para um mapa no canto da parede que estava marcado e para a minha felicidade o tal Rancho estava lá com um alfinete e a tal cidade, quem daria um nome idiota desses pra uma cidade, mas enfim...
Não me pareciam distantes e bom eu não pretendia ficar morando em um esgoto com monstros na minha cabeça então disse:
- Stick eu não vou abandonar você querido, mas você vai ter que me ajudar em uma coisa.
- Você quer ir pra lá né? Essa cidade que a vó queria me levar?
- Bom não podemos ficar aqui você não acha?
- Eu sei, eu e a vó estávamus indo pra lá por isso tivemos que subir na rua pra pegar o que ainda tinha nos mercadu...
- Você sabe como sair dessa cidade?
- Sim, a vó me fez estudar isso (apontando pro mapa) por dias, purque se algum bixu pegasse ela eu ia ter que ir sozinho, mas agora vou com você – E ele mostrou mais uma vez seu lindo sorriso.
-Bom meu querido então vamos pegar o que a gente puder levar e vamos assim que a gente dormir um pouco tudo bem pra você?
- CERTUUUUUU...
Coloquei o pequeno Stick pra dormir cantando algumas músicas de ninar antigas que sabia e ele adormeceu rápido, peguei o diário de Eleonor e dei uma rápida olhada...
08/10
“O berçário vai ser a fonte de uma grande revolução no que diz respeito à medicina, ainda não temos nem sequer idéia do potencial dessa maravilha que criamos, mas o Potentado Victor tem uma visão extraordinária sobre até onde podemos chegar, e acredito que vamos conseguir executar os testes em humanos em breve, só imagino a felicidade dessas pessoas que perderam um braço ou perna em ter eles de volta...”

Havia muita coisa técnica no diário que eu não entendia absolutamente nada, nossa como eu estava cansada, precisava dormir então algo me chamou a atenção no diário.
02/14
“Estou ansiosa por esse dia, vamos iniciar o teste em humanos, o primeiro passo e recriar as pernas de uma garotinha chamada Emilly, ela nasceu sem as pernas e acredito que vamos conseguir, o processo se inicia pela manha e todos estão otimistas sobre os resultados.”
“Victor disse que não iria dormir naquela noite e iria ficar no laboratório para verificar alguns testes, espero que tudo de certo, preciso dormir amanha vai ser um dia glorioso que vai entrar para a historia”
02/15
Todos os procedimentos indicaram que tudo daria certo, as imagens mostram que Emilly reagiu bem ao processo e as pernas delas foram recriadas, mas algo saiu errado, a garotinha começou a sofrer de fortes dores e perdeu o controle, a sala do berçário foi tomada por um odor horrendo de metal, as pessoas que estavam do lado de dentro se tornaram seres deformados, o berçário foi evacuado, para a minha surpresa o prédio já estava cercado pelo exercito e Victor estava a frente garantindo que nada entraria ou sairia dali sem a permissão dele.
Bom fosse quem fosse esse Victor ele era uma peça chave dessa loucura, mas eu no momento só queria dormir e não pensar em nada...
Engraçado...
O relógio estava marcando 2:16...
E então adormeci...

Nenhum comentário:

Postar um comentário