A noite tinha sido perfeita, havia levado a minha esposa pra um restaurante dos melhores da cidade, ela estava perfeita como sempre, era o nosso aniversario de 10 anos de casados e sinceramente ela continua tão linda como no tempo que eu a conheci, cabelos ruivos, olhos escuros, pele branca, ela usava um vestido lindo, e olha que eu quase nunca noto essas coisas, mas ela estava perfeita nessa noite.
Fizemos amor por horas, pra um casal com 10 anos de casado acho que isso ainda está muito bom, nossa como ela estava linda...
Acordei umas 5:30 como de costume, o dia ia ser corrido e eu não podia perder muito tempo, trabalho em uma multinacional e a minha esposa em outra, a vida andava bem, ganhávamos muito bem, éramos pessoas bem sucedidas na vida, me arrumei, tomei café e deixei o dela pronto, deixei também uma rosa e um cartão escrito “EU TE AMO” junto ao café e fui trabalhar...
Sai no meu BMW novinho, a vida ia bem, estávamos terminando de pagar nossa casa, andávamos de carros novos, e inclusive planejávamos um filho para o próximo ano, se não houvesse nenhum contratempo, a vida andava estranhamente perfeita demais, mas quem ligava?
A cinco anos eu nem imaginaria que estaríamos tão bem, estávamos a beira de uma separação, minha mãe havia acabado de falecer e o pai dela estava bebendo de novo, haviam os problemas financeiros, quase perdemos nossa casa nessa época.
E engraçado como as coisas mudam tão rápido na vida, a esqueci de dizer o nome dela, ela se chama...
AAAAAAAAAAAAA
Gritos na pista, vários carros parados, o que diabos?
Um clarão e seguido de várias explosões, os gritos agora vem de todos os lados, fumaça, gritos e mais explosões...
O que diabos está acontecendo?
Avisto de longe um ônibus escolar em chamas e horrorizado vejo que ele não estava vazio, pequenos rostos disformes encostados na janela, mais explosões, e do nada não existe mais nada na estrada, na verdade não existe nem estrada, meu BMW novinho não passa de um monte de ferro retorcido, minhas roupas são apenas trapos, minha esposa, MEU DEUS MINHA ESPOSA...
Corro pra entrar em casa (Como diabos eu vim parar na frente da minha casa?) e começo a gritar por...
Eu não lembro o nome dela, Meu Deus eu não lembro o nome da minha própria esposa que eu tanto amo...
As casas ao lado da nossa antes tão imponentes agora não passam de monturo, nem sei como a nossa ainda está de pé, AMOR – Eu grito ao entrar em casa...
Subo as escadas que parecem que passaram por um incêndio, mas isso parece fazer tanto tempo, quanto tempo? Como e o nome dela?
Entro no quarto e só encontro lixo, trapos com sangue envelhecido, símbolos estranhos pintados na parede e um odor de mofo e poeira que mal me permitem respirar, COMO E A PORRA DO NOME DELA – eu penso em voz alta...
Vejo uma carta em cima do que um dia foi uma mesinha, empoeirada e meio fustigada pelo fogo, mas ainda assim da pra ler...
E a letra dela, tão pequenininha e linda como tudo nela, ainda tento sentir se tem um pouco daquele perfume que ela tanto gostava, mas não resta nada além de pó...
Escuto passos e gritos lá em baixo, mas eu não me importo, leio a carta...
“Eu sinto muito, mas não da mais pra continuar com essa farsa, quero o divorcio...”
Três criaturas derrubam o que resta da porta, eu nem sei descrever o como essas criaturas eram horríveis, mas ainda não me importo, só quero lembrar o nome dela...
Elas gritam algo que eu não entendo, me apontam uma arma...
Acho que ela se chamava Lívia, não Andréia acho...
Mais gritos, um tiro, talvez fosse...
De repente acordo todo suado e com a minha roupa cheia de pó, um gosto horrendo de metal e veneno na minha garganta, eram dias difíceis, eu não sabia se era dia ou noite, ultimamente não fazia muita diferença, estava sempre quente como o inferno e ninguém nunca via o sol...
Já fazia alguns anos que eu tinha esse sonho, mas eu nunca entendi bem o porque, não me recordo muito de nada desde que acordei nesse lugar, só sei que a dias não comia direito e minha barriga já estava roncando.
Começo a caminhar ciente de que naquela manha/tarde/noite não haveria café da manha, não era muito seguro ficar nas estradas, mas onde era seguro afinal de contas nesses dias?
Vejo no chão uma placa suja com algum nome, eu passo a mão e leio:
“BEM VINDO AO RANCHO VIVIAN – TERRA DOS SONHOS”
Vivian...
Um nome muito bom para um rancho, um nome muito bonito de fato...
Vivian...
E começo a caminhar em direção ao Rancho Vivian, quem sabe não encontre algo bom por lá, e de fato um lindo nome...
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